A amizade nos tempos modernos • We Love

A amizade nos tempos modernos

Amizade

Foram anos convivendo juntas, não éramos unidas até o momento que percebemos que aquele curso não seria para sempre. Resolvemos fazer algo: aproximamos uma das outras e acabamos por descobrir que tínhamos mais em comum do que imaginávamos… Foram três semanas cheias de papos, descobertas, sinceridade, risos e o mais lindo início de uma amizade!

As férias chegaram e continuamos a nos encontrar, conversar e rir, porém com o passar do tempo as conversas foram ficando curtas, os encontros desmarcados e a vida um tanto corrida para a amizade. Quando percebi, já não conversava com elas há tempos.

Enviei um e-mail tentando dizer em poucas palavras o quanto a saudade era grande. Verifiquei o correio eletrônico a cada minuto, ansiosa esperando uma resposta. Depois de horas as respostas foram chegando e ela transmitia o mesmo sentimento que eu sentia naquele momento: esperança de um novo abraço!

Combinamos de nos encontrarmos, foi difícil achar uma data em que todas pudessem comparecer, a saudade doía no peito! Como sempre eu era pontual e já estava acostumada a esperar, mas aquela espera durou tempo demais. Durou anos e parecia que seria eterna, depois de minutos sozinha olhando para todos os cantos em busca de um rosto conhecido, meu celular começou a apitar. Mensagens. Cada uma com uma desculpa desmarcando o remédio da dor que eu sentia, do vazio em meu peito. Paguei a garrafa de água mineral e sai daquela lanchonete cheia de desapontamento. Queria culpar alguém, mas não havia esse alguém. A culpada não era a distância, não era a vida corrida. Na verdade, não existia algo para culpar.

Quando cheguei em casa, ainda desapontada, fui remexer na minha caixa de fotos e lá encontrei várias em que aparecíamos sorrindo, abraçadas, felizes, cheias de sonhos…

Os mesmos sonhos que um dia nos uniram hoje separa-nos. Crescemos e seguimos caminhos diferentes. Olhar aqueles retratos causava uma certa nostalgia. Lembrar o nosso desespero nos dias de prova, na entrega e apresentação do TCC…

Tudo se transformou em recordações e promessas que não serão cumpridas quando dizemos: precisamos marcar alguma coisa. O que nos impede? Não sei, talvez o medo das novidades serem velhas, do assunto não aparecer e a conversa não fluir… Mas de uma coisa eu tenho certeza: o que vivemos juntas ficará para sempre em meu coração

Natalia Moreno

Natalia Moreno

Natalia Moreno é apaixonada por literatura, animais, músicas... Formada em Letras, pós graduada em Literatura Inglesa é autora dos romances Quando eu me amar e Marcas da Vida. Tem o defeito de querer colocar tudo em ordem, desde um quadro torto até o mundo e se desespera por este último estar fora do seu alcance.
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