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A criança que não queria crescer

child girl street field teddy bear | pexels

Gostava de morar com os pais. Não ter que se preocupar em pagar contas. Fazer comida. Lavar roupa. Passar, então, nem se fala. Gostava de não ter preocupações.

Não queria pensar num mundo malvado e lidar com as coisas que as pessoas fazem por dinheiro. Nem descobrir que o amigo não era tão amigo como parecia. Nem entender de traição, de brigas, de mentiras. Esse era um mundo do qual não queria fazer parte.

Vivia num mundo só seu. Um mundo criado para achar que as pessoas eram boas, assim como ela. Queriam o bem. Faziam o bem. Ajudavam umas às outras.

Nunca parou de brincar. Enquanto as outras meninas passaram a querer saber de namorados, ela só queria correr na areia, brincar de esconde-esconde, viver a vida através das bonecas.

Dia das crianças era um dia só seu. Recebia sempre presentes. E adorava. Cada ano que passava, receber presentes naquela data era ainda mais legal. Porque os anos passavam e ela continuava pequenininha. Do lado de seus pais.

Não nasceu para ser mãe, nem cuidar de ninguém. Ao contrário, queria aconchego, colo, tranquilidade. Queria viver descobrindo coisas boas, aproveitando tudo.

Não queria passar de fase no jogo da vida.

Ali, na casa de sua infância, com os pais que não envelheciam e os amigos que aceitavam esse jeito inocente, ela era feliz. Por que todo mundo tem que seguir as regras? Entrar na ordem natural das coisas? Se encaixar? A dela era essa, um jeito de ser que pode parecer meio bobo, cruel ou errado. O que for. A dela era essa. Um jeito de ser curioso e encantado.

Ela olhava para tudo como se fosse a primeira vez. Com olhar apaixonado. Era gostoso fazer tudo ao seu redor, porque, com certeza, ali teria alegria. É que criança é assim, deixa tudo mais legal.

E é por isso que dia de criança devia ser todo dia. Porque viver ao lado de criança, como ela, é ter todos os seus dias comemorados.

Sabrina Guzzon

Sabrina Guzzon

Publicitária. Desenha e escreve por hobbie. Ama também cozinhar. É mãe da Maria Flor, do Antonio e esposa do Fernando. Faz regime constantemente e nunca dá muito certo. Deve ser porque odeia academia. Acha que é ruim em tudo, mas mesmo assim se arrisca.
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