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Aquele que recebe em casa

Aquele que te recebe em casa | Créditos: PIxabay

Sabe gente, quando a Fernanda Romano me convidou a colaborar por aqui, ela me disse que queria propiciar um ambiente para conversas descontraídas, ainda que inteligentes. Me soou como uma ode à boa conversa, me encantou de imediato, eu – essa tagarela que adora uma boa prosa.

Aí que li o texto de Lita Forbes, sobre Procusto – um malfeitor da mitologia grega -, até então desconhecido para mim, que esticava ou decepava partes de seus presos, sob a ideologia da igualdade. Procusto queria que todos fossem iguais; uma apologia à intolerância, e mito que me pareceu tão útil aos dias atuais.

Pronto. Me bateu uma baita vontade de uma caipivodka com Lita.

Não a conheço. Não pessoalmente. Mas eu tomava minhas caipivodkas com amigas, e a conversa girava em torno de um terceiro amigo que, em ocasião propícia, lhes contava sobre o anfitrião. Anfitrião era casado com Alcmena, mãe de Hércules. Zeus desejou Alcmena, e disfarçou-se de Anfitrião para adentrar seus aposentos para uma intensa noite de amor. Para guardar a porta, Zeus convocou Sósia para passar-se por Hermes – o guardião de Alcmena. Anfitrião desconfiou da fidelidade da esposa quando soube da gravidez, mas Zeus lhe esclareceu tudo e Anfitrião sentiu-se honrado por ser escolhido a ser pai de um semi-deus, Héracles. Daí que, desde então, anfitrião é aquele que recebe bem outros em sua casa, e sósias são sósias.

Este ano, estive na Grécia. Aprendi tanto sobre a mitologia grega, mas ninguém me contou de Anfitrião ou de Sósia. Nem de Procusto. À Lita, um brinde.

Deise Lima

Deise Lima

Conta histórias desde que aprendeu a balbuciar e as escreve desde um pouco antes de aprender a escrever. Caminhos tortuosos a tornaram uma engenheira de computação tagarela, que ousa sonhar que sua missão é levar poesia e sensibilidade por onde passa. E missão é coisa séria, gente.
Deise Lima

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Comments

  1. Deise, que delícia ler seu texto e podermos conversar!
    Mitologia é uma das minhas paixões, principalmente quando nos ajuda a perceber outros significados em situações e atitudes…
    Você fala de Anfitrião e lembrei que o rei Arthur e Jesus Cristo também tiveram dois pais, como vários outros heróis. Sempre um humano e um divino, para mostrar a nossa dualidade…
    Mas essa já é uma outra história para o nosso encontro. Também fiquei com vontade. Vamos?
    Um brinde a você também!
    Um beijo,
    Lita

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