As coisas vão dar errado, mas tá tudo bem • We Love

As coisas vão dar errado, mas tá tudo bem

As coisas vão dar errado, mas tá tudo bemAs coisas vão dar errado, mas tá tudo bem

Às vezes, a gente entra numa piração muito louca de que não vai dar conta. De que a gente, que deu conta até aqui, não vai ser suficiente e aquelx @ vai vazar em dois tempos. Que a gente vai tropeçar num momento imperdoável e vai ser mandado embora no mesmo mês que renovou o contrato de aluguel. Que a gente nunca vai terminar aquele projeto. Que a gaveta não vai ter mais espaço pra tanta desistência.

E a gente esquece que pode muito. Que não existe sexta-feira 13 pra quem é segunda-feira 12, com cara, coragem e um pouco a mais de café. A gente esquece que quem tem domingo 11 vendo o céu estrelado com beijo estalado é quem tem sábado 10 botando a mão na massa pra fazer a vida acontecer. E se a mesma pessoa teve a sexta 9 dando um pontapé pro final de semana começar depois de viver uma quinta 8 de coisa boa acontecendo, como pode achar que não vai dar conta?

A gente esquece que deu conta de tudo até aqui. Que já deu certo um monte de vezes. Que, meu deus, você entregou o TCC. Como esquecer que você conseguiu sobreviver ao término de relacionamento que dilacerou o seu peito? E tá aí. Vivíssima. Não bota na conta da sorte: quem foi pra terapia, mesmo sem vontade, foi você. Você que deu conta! Não tem nem como não lembrar daquela camiseta que você resolveu que ia picotar e cagou inteira antes de dar certo – e ficou maravilhosa, no fim das contas.

A gente esquece e entra numa piração de que todo mundo vai embora, as coisas vão dar errado, a unha vai encravar, o dedo vai cair… E não, não vai. Respira. Vai dar tudo certo. Um dia. Não necessariamente hoje. Não necessariamente tudo – tudo é muita coisa. Não necessariamente de uma vez. Mas vai dar certo. E não tem essa de ir embora, não. Quem tem que ficar, fica. Só vai quem já fez o que tinha que fazer: deixa ir. A vida é saber deixar ir. E saber abraçar quem fica. Abrace. Pelo amor de deus, abrace. Deixe a cabeça encostar na curvatura do ombro e encaixe-se num abraço que diz por si só: “que bom que você está aqui”.

E, na dúvida, no meio da piração, quando você achar que vai dar tudo muito errado e a bomba-relógio da vida vai explodir na sua cara, lembra de quem lembra de você. De quem parou na mercearia pra te comprar pipoca doce. De quem te levou bolacha pra deixar na bolsa. De quem te abraça apertado e não solta os braços, porque lembra que você gosta de abraços longos.

Quem lembra de você não vai embora. Não agora. Relaxa. As coisas vão ficar bem. E, como diria Caio Fernando Abreu, ninguém é descartável. E amanhã tem sol. Ainda mais porque amanhã é dia par. Dizem que dá sorte.

Gi Marques

Gi Marques

Sou a poesia da contradição de tênis e batom vermelho escrevendo histórias que vivi e inventei (qual é qual já não dá pra te contar).
Gi Marques

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