Autoestima, onde te encontro? • We Love

Autoestima, onde te encontro?

auto estima pixabay
Te contaram que inventaram um aplicativo de elogios? O criador comentou sobre o impacto direto que isso tem na autoestima. Nós, do We Love, acreditamos que existe um significado tão íntimo nessa palavra que caberia um universo de definições. Por isso, criamos um dia para falar sobre esse assunto. Pedimos para nossos colaboradores escreverem sobre o tema e a escritora Natalia Moreno foi uma das que falou sobre o assunto.

Autoestima: qualidade que pertence ao indivíduo satisfeito com sua identidade. Fácil dar um significado, difícil mesmo é encontrar alguém que é 100% feliz com o que é.

O fato é que vivemos em uma sociedade que tem uma mania muito chata e feia: rotular pessoas como se fossem garrafas de refrigerante. Não somos produtos (ou somos, depende da sua visão social) com data de validade ou com a obrigação de ser aceito pelo grande público. Somos seres humanos com dedos opositores e precisamos respeitar e sermos respeitados.

No mundo de hoje aquele que é feliz com seu corpo, carreira, família, amor e o que mais for importante é a minoria. Estamos cercados por propagandas de como sermos (cópias), acontece que somos feito da mesma forma, mas alguns cresceram mais de um lado ou de outro porque o chão da cozinha é torto.

Apontar o dedo na cara do defeito do outro é tão fácil, mas quando o dedo se vira para você aí a coisa pega. Muito do que detestamos no outro acabamos encontrando no nosso interior.

Tenho inveja branca das pessoas que conseguem se amar, se aceitar da forma como são! De verdade. Eu não consigo. Toda vez que olho para o espelho não vejo o lado bom, para mim o copo está sempre vazio (ou cheio de gordura). Não sou feliz com meu corpo. Adoro comer, odeio musculação. Amo dançar, mas toda academia em que entro as coreografias são sobre bundas e meu gosto musical é chato, então se eu não gosto da música vou detestar a atividade.

Toda semana que começo a caminhar, chove. Às vezes, tento dançar com jogos do PS3, mas sozinha é tão sem graça e eu vou seguindo assim, sempre achando uma desculpa para odiar o mundo e a mim mesma.

Então, autoestima não é comigo. Sou ótima para dar conselhos, mas péssima para acreditar neles. Sinto muito se você leu até aqui para encontrar uma mão amiga, eu sou o dedo apontado para a sua e a minha cara com uma preguiça imensa de levantar a bunda da cadeira.

Sabe o que ajuda a minha autoestima a não existir? Essa importância ridícula que a imprensa dá para o tamanho do braço da atriz ou da circunferência da cintura da dançarina e #peloamordejesuscristinho fulana tem celulite!

E se essas mesmas pessoas que não tem assunto para publicar me verem sentada enquanto digito este texto e notarem as dobras da minha barriga ou as estrias e celulites que estampam minha coxa? Vão falar o que de mim, que não tenho vaidade?

Tenho. E muita e apesar de toda a minha angústia em ver gordurinhas fora do lugar eu ainda acredito que a inteligência é mais importante. Não precisa ser um PhD em algum assunto, você só precisa manter uma conversa, entender um pouco das coisas e filosofar sobre as coisas mais absurdas… Eu gosto de rir!

E, voltando a aparência como faço agora que cortei o meu cabelo? Afinal para ser sexy é preciso ter cabelos longos e sedosos. O meu é sedoso, mas é curto. Se você for passar a mão nele… puft! Acabou.

Lembro que no tempo de escola o garoto por quem eu era apaixonada disse que até me achava bonita, mas não podia ficar comigo porque eu tinha o cabelo curto, como um menino. Eu, que sempre achei que as pessoas eram criadas para ter identidades próprias me vi com a cara no chão escondendo as lágrimas de uma garota rejeitada.

Como eu posso falar de autoestima quando, ainda, no tempo de escola a professora precisou me defender de uma classe que me chamou de sapatão porque meu cabelo era curto? E eu na minha inocência olhei para o meu pé e não entendi o porquê do rótulo se eu vestia uma rasteirinha… Ah, quanta inocência…

E quando dentro a sua própria casa você ouve que seu nariz é gigante e chega ao ponto de se trancar e não querer mais sair do quarto e fazer um juramento idiota de guardar dinheiro para uma plástica? Eu jurei e chorei e deixei toda a tristeza sair pelas gotas que caíam dos meus olhos.

Como ter autoestima quando somos bombardeados por imagens de pessoas perfeitas e felizes? Como ter autoestima quando escolhemos a inteligência, a educação e a outra pessoa te julga porque o número 42 (que é para gordinhas) já não serve mais?

A gente senta e chora? Não. Eu já fiz muito isso. Hoje eu me revolto com o mundo, mas é uma revolta silenciosa.

Fico no meu canto tentando me convencer que sou mais do que um corpo fora dos padrões de beleza, tento me convencer que tenho outras qualidades. Respiro fundo e faço as pazes com o mundo. Sei que outras crises virão e sei que será assim por um bom tempo até eu conseguir me aceitar do jeito que sou ou levantar a bunda da cadeira e fazer algo. Por enquanto vou escrevendo textos confusos que saem pelas pontas dos meus dedos com uma velocidade que não consigo controlar…

Natalia Moreno

Natalia Moreno

Natalia Moreno é apaixonada por literatura, animais, músicas... Formada em Letras, pós graduada em Literatura Inglesa é autora dos romances Quando eu me amar e Marcas da Vida. Tem o defeito de querer colocar tudo em ordem, desde um quadro torto até o mundo e se desespera por este último estar fora do seu alcance.
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