Banksy, me representa • We Love

Banksy, me representa

Bansky me representa | Crédito: Unfunk.net

Não é de hoje que sabemos que o sistema econômico atual é predatório.

Até você que finge que não vê, sabe disso. Usa o darwinismo como justificativa para suas atitudes egoístas em prol de seus próprios interesses e manda: “eu trabalhei, eu mereço”. Tem ideia mais genial do que essa? Enfiar na cabeça das pessoas que o trabalho dignifica o homem e a recompensa é o cofre do Tio Patinhas? Assim, sistematicamente, repetindo diariamente a mesma coisa, você senta no banco do seu carro e vai para o seu trabalho, ouvindo um som e agradecendo a si mesmo por tantas conquistas.

Desculpa, filho, mas você não é mais gente e nem menos explorado. É um explorado com um carro, ponto. Trabalha para morrer. E o cara que investe na bolsa, esse sim é malandro. Paga um monte de gente para continuar te convencendo disso e te incentiva a gastar sua vida trabalhando. E quem não tem ou quem não consegue ou quem não quer, é vagabundo. Mas o seu patrão não. Ele trabalhou duro. Vai nessa, vai… Quando você se der conta, sua vida já passou. Mas eu entendo. É muito mais fácil permanecer inconsciente. Ignorar a realidade mantém as pessoas felizes. É tipo a pílula da Matrix. Uma questão de escolhas.

E tem gente que escolheu a outra pílula e resolveu mostrar para as outras pessoas o outro lado. Por mais que tentem oprimir, por mais que tentem manipular. Essas pessoas sabem: não existe gente rica a não ser que exista gente pobre. Não existe quem ganhe dinheiro com a bolsa de valores sem pisar em algumas cabeças. E é preciso, para uma minoria de 1%, que as coisas sejam mantidas assim. E muitas vozes são caladas. Muitas fotos, banidas.

O funcionamento do mundo e as relações internacionais também são assim. O que? Você acreditava no mito do desenvolvimento? Que aos poucos o Brasil ia subir uma escadinha e chegar ao patamar de país desenvolvido? Sorry, baby. Não vai. Mais uma falácia do sistema econômico. Para que as pessoas na Alemanha, Estados Unidos, Finlândia ou qualquer um desses que usamos como exemplo e modelo tenham tudo o que têm, é preciso que existam países pobres, subdesenvolvidos e em guerra. A União Europeia não foi construída com “trabalho duro” e “dedicação”. Tem muito ouro brasileiro lá e tem muito sangue de índio também. Tem sangue negro. Tem suor, tem lágrimas. A Europa tem embaixo dos pés o extermínio de povos inteiros. Banksy enxerga isso.

Banksy é um vândalo. No bom sentido. Ele se posiciona. Ele não só enxerga. Ele mostra com sátira e subversão o que você não quer ver. Em uma imagem, um posicionamento. Faz você questionar. Nada é mais urgente do que as perguntas hoje. Do muro de Israel ao muro da União Europeia, Banksy diz pra você que você vai enxergar quer queira, quer não. Underclass revenge contra o sistema econômico, as muralhas, as barreiras e essa abstração que chamamos de fronteiras. Banksy representa a tomada de posicionamento contra um sistema corrupto e falido que afeta a vida de milhares de pessoas todos os dias. Banksy faz ouvir as vozes de muitas vítimas: dos isolados de Gaza aos que se afogaram no mar Egeu; de Farah Baker (@Farah_Gazan) ao menininho que vimos na praia nos jornais.

Banksy questiona esse poder centralizador que favorece os países mais desenvolvidos. Questiona a ordem pré-estabelecida das coisas. Faz você pensar sobre a guerra, o imperialismo, o autoritarismo e o consumismo. Através de uma linguagem simples promove um discurso revolucionário que faz com que cada um de nós nos questionemos.

Banksy. Me representa.

Bansky, me representa | Crédito: Unfunk.net

Bansky, me representa | Crédito: Unfunk.net

Bansky, me representa | Crédito: Unfunk.net

Bansky, me representa | Crédito: Unfunk.net

Politics | Crédito: Unfunk.net

Politics | Crédito: Unfunk.net

Publicado originalmente em setembro de 2015
Luna Chino

Luna Chino

Geógrafa, apaixonada por Relações Internacionais e mãe da Aliyah. Enquanto cuida da casa, da filha, do marido e da cachorrinha ainda concilia a veia criativa com muito trabalho, estudo, natação e ioga.
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