Como falar com pessoas em festas – We Love

Como falar com pessoas em festas

Como falar com pessoas em festas


As pessoas são ensinadas desde cedo a não falarem muito se si mesmas. Com o tempo, mesmo antes de mandarem ler o famigerado auto-ajuda, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, já nos ensinam a sempre perguntar ao outro sobre suas vidas para não parecer egocêntrico (homens em geral recebem esse treinamento). Mas por que não se deve falar sobre como foi seu dia, sobre o que você gosta? Essas regras não escritas (ou sim, porque tem um livro que ensina a INFLUENCIAR PESSOAS), não ensinam a entender como podemos falar de nós mesmos.

Uma maneira muito eficaz de começar um assunto, fazer uma amizade, apaziguar uma discussão ou se relacionar com outra pessoa, é falar sobre uma vulnerabilidade e um erro. Ouvir que nós falhamos, que estamos tristes, que foi nossa culpa, que nossos parceiros não parecem gostar muito de nós, que estamos sozinhos, que desejamos que tudo acabe – não há nada melhor do que se mostrar humano.

Nada melhor para estreitar uma relação, do que mostrar que não estamos sozinhos com as terríveis dificuldades de estarmos vivos.

É muito fácil achar que fomos exclusivamente amaldiçoados na extensão de nossos problemas, dos quais nenhum outro ser vivo sofre. As redes sociais e a mídia nos oferece relatos intermináveis ​​sobre o sucesso financeiro e criativo de outras pessoas, enquanto nossos amigos e conhecidos constantemente apimentam suas conversas com exibições sutis sobre as realizações deles.

Por uma ironia, esses auto-promotores não estão tentando nos alienar. Eles estão trabalhando sob a ideia de que as pessoas ao seu redor gostaríamos mais deles pelo seu sucesso. Eles estão aplicando à vida social um modelo de relação entre popularidade e sucesso que, de fato.

Nos esforçamos tanto para sermos perfeitos. Mas a ironia é que é um fracasso que encanta, porque os outros precisam ouvir evidências de problemas com os quais estamos todos muito solitários: como nossas vidas sexuais são anormais; quão descarrilhadas nossas carreiras estão; quão insatisfatória a nossa família pode ser; quão preocupados estamos praticamente o tempo todo.

Revelar qualquer uma dessas feridas pode, é claro, nos colocar em grande perigo. Os outros podem rir da nossa cara, não curtir nosso post. Essa é a questão. Hoje, as pessoas começam uma relação revelando coisas que, além de não serem verdadeiras, podem funcionar como âncoras, jogando as pessoas ao redor, em um abismo.

Um relacionamento, uma amizade, são não é um presente extravagante, que precisamos investir demais para dar e receber. São na verdade, gratidão, um presente precioso, chave para a autoestima e dignidade das pessoas. É profundamente comovente que devamos gastar tanto esforço tentando parecer forte diante do mundo – quando, o tempo todo, é realmente apenas a revelação das partes um tanto embaraçosas, tristes, melancólicas e ansiosas que é o que nos torna cativantes para os outros e transforma estranhos em amigos.

David Moratório

Redator e analista de conteúdo, amante de livros, domingos em casa e series bobas. Filósofo de hamburgueria que acredita que a única salvação é o amor.
David Moratório

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