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Como narrar sua história de vida

Como narrar sua história de vida

Em momentos de tristeza e cansaço, é muito fácil olhar para trás ao longo dos anos e sentir que nossas vidas, em essência, não fazem sentido. Fazemos um balanço de tudo que deu errado; quantos erros cometemos, quantos planos não cumprimos e sonhos frustrados tivemos.

Às vezes, podemos achar que a vida não significa nada. Dependendo do ponto de vista, ela realmente pode não significar nada. Mas descobri, ao longo dos anos, que devemos olhar com mais compaixão. Melhorar nossa percepção e sermos capazes de traduzir em ações mais significativas.

Escrever nossas histórias e fazer nossa biografia é uma tarefa que associamos a celebridades – mas é, no fundo, uma atividade universal. Podemos não estar publicando nossas histórias, mas estamos escrevendo elas em nossas mentes.

Todos os dias, eu me dou conta que tecemos uma história sobre quem somos, onde estamos indo e por que cada coisa aconteceu. Mas costumamos ser narradores muito duros e damos a entender que todo evento foi um desastre.

“Foi um desastre após o outro”. É assim que vamos narrar, especialmente tarde da noite, quando nossas reservas de otimismo escorrem pelas pernas e os demônios retornam. Mas não existe nada de louvável nesse discurso de auto-flagelação. Temos que ser mais gentis e mais equilibrados com o todo que formam nossos dias, nossa vida.

Nem todos os desastres devem ser desperdiçados. Talvez passemos uma década sem saber o que queremos fazer na nossa vida profissionalmente. Talvez passemos por uma sucessão de relacionamentos fracassados que nos deixaram confusos e acabam com a gente.

Mas tudo tem um lado positivo.

Precisamos da crise da carreira para entender qual é o nosso papel na vida profissional; temos que falhar no amor para entender nossos corações. Ninguém aprende nada importante de uma só vez; devemos perdoar os horrores dos nossos primeiros rascunhos sobre nossas vidas.

O bom contador de histórias reconhece que o personagem central da história nem sempre é responsável por todas as calamidades ou triunfos. Nós nunca somos os únicos autores de qualquer coisa que nos aconteça. Às vezes, será a economia, os nossos pais, o governo, os nossos inimigos ou simplesmente as dimensões trágicas da existência humana.

Os bons narradores não personalizam demais. Todos os dias, somos induzidos a narrar um pouco nossa história de vida para nós mesmos: explicamos por que sentimos dor, por que esquecemos de aproveitar uma chance e por que estamos numa situação infeliz.

A história das nossas vidas não precisa ser contada como uma história de derrota.

Pode ser um conto contado por uma alma amável e inteligente que fez muito para ter uma vida significativa. Como quase toda história de vida é, na verdade, um conto de uma luta, falha, parcialmente cega, auto-enganada, mas uma vida digna e humana, contra todas as probabilidades.

David Moratório

David Moratório

Social Media, wanna be publicitário, traça de livrarias e filmes de super heróis. Budista e filósofo de buteco que já pensou que o "Universo numa Casca de Noz" fosse um livro de biologia e que acredita que a única salvação é o amor.
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