Deu match • We Love

Deu match

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Você vai encontrar alguém que vai mudar a sua vida inteira da noite pro dia.

Parecia somente um trecho de música, uma frase bonita, daquelas de postar no Facebook ou na foto do Instagram. Até que essa frase se torna a representação de algo real. Até que de tanto tentar e acreditar, realmente, acontece.

Ela arrastava as fotos numa sequência de “x”, já cansada e desanimada. Só quem utiliza esses aplicativos é que sabe o quanto podem ser entediantes. Entre um “x” e outro, resolveu tentar mais uma vez. Depois de tantas decepções, encontros desmarcados ou até encontros marcados, mas que não deram certo.

De alguma forma, disse para ela mesma, não custa tentar mais um pouco. Até que ele apareceu. Com um perfil discreto, sem texto, apenas três fotos. Poderia quase ter passado despercebido, mas alguma coisa fez com que ela apertasse o coração.

Era um sábado de manhã quando ela abriu a telinha do aplicativo e se deparou com um convite de café. Gostou do fato dele ter sido atencioso. Provavelmente, tinha lido no perfil dela que o café é quase um estilo de vida. “Bem melhor que me chamar pra tomar litrão”, pensou achando graça.

Na sequência, vieram as perguntas rotineiras, as risadas, as afinidades. Foram dois dias de conversa ainda no aplicativo, mas, apesar de serem tão diferentes, algo os unia. Meio sem saber o motivo. Meio sem ter explicação. Passaram para o Whats. A sintonia, a risada… Tudo só aumentou.

Dois dias inteiros de muita conversa e riso fácil. Logo começaram a pensar nos detalhes do primeiro encontro. Como você poderia criar uma empatia tão rápido por alguém que ainda não tinha visto?

Entre perguntas e brincadeiras, ela descreveu o que seria um primeiro encontro perfeito com um crush. Aparentemente bem hipotético e despretensioso, até que ele resolveu tornar isso real.

Acordou com uma mensagem de ‘bom dia’. Abriu um sorriso como consequência. Dúvidas como que roupa usar, o que será que comeriam de bom, o que conversariam, se teriam afinidade, atração física, enfim. Eram muitas dúvidas, a expectativa estava grande. Junto com a ansiedade que tomou conta dos dois no decorrer do dia.

Cabelo arrumado, perfume passado, relógio colocado.

Passa pomada no cabelo, apara bem a barba.

Pega a chave do carro, coloca a embalagem no banco da frente, digita o endereço no Waze.

Chama o Uber, desce nervosa, sempre atrasada. Frio na barriga. Coração ofegante. Pode ir, comenta com o motorista.

Ele chega 10 minutos antes. Espera em pé na porta. Coração a mil. Quase esquece o presente no carro. Passa a mão no cabelo. Coça a barba. Olha o celular. Numa mensagem ela diz que está chegando.

Ela anda na direção dele, vai se aproximando devagar. Quase tropeça na calçada de nervoso. “Tudo vai ficar bem”, resmunga sozinha. “Ai, meu Deus, o que é isso na mão dele?”. Estômago embrulha, não tem mais como correr. Estão frente à frente.

1,85. Ela olhou um pouco pra cima. O rosto dele estava iluminado. Abriu um sorriso como uma convite para uma noite incrível. Tinha luz naqueles olhos. Meio verde, meio mel.

Ele entregou o chocolate e disse muito prazer. Sem saber direito como reagir, ela agradeceu e acenou (também) com um sorriso.

Entraram. O rodízio começou. Os drinks sem álcool chegaram. A música ao vivo começou a tocar. O local tinha um jogo de luzes baixas, que tornavam a ambientação perfeita.

Nervosismo inicial deixado de lado, eles se entreteram entre conversas, perguntas, piadas e a comida que não parava de chegar.

Tinha atração física. Tinha afinidade. Tinha leveza no ar.

Se entenderam no jeito de conversar e de sorrir.

(…)

A hora do tchau é sempre uma das mais esperadas. Apesar do frio na barriga, o primeiro beijo veio como uma consequência natural. Os lábios se encostaram lentamente. Parecia que já se conheciam. Uma loção pós-barba e um perfume doce exalavam no ar.

Se despediram com a certeza de que se veriam novamente. Ela chegou em casa com um sorriso de orelha a orelha. Estava feliz.

Ele chegou em casa 25 minutos depois com a certeza de que queria vê-la novamente. Também estava feliz.

Trocaram mensagens e o convite do segundo encontro veio na sequência:

“Será que você gostou de mim ao ponto da gente se encontrar de novo?”.

“Com certeza eu ainda tenho muitas coisas pra te perguntar e xeretar, eu aceito assim”.

Assim os dois foram dormir. Relembrando tudo que tinha acontecido. O brilho nos olhos, as risadas sem motivos. O beijo curto, mas suave. O abraço sutil. E embora eles tivessem percepções diferentes sobre os melhores momentos do encontro, numa coisa eles tiveram que concordar. Esse match tem gosto de quero mais.

Regine Luise

Regine Luise

Jornalista por formação, poeta por opção, escritora por inspiração. Conselheira amorosa de boteco, romântica de carteirinha assinada. Escreve para expressar o que pensa, sente e, principalmente, quem é.
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Comments

  1. Que sensibilidade..
    Que narrativa deliciosa de ler, com direito a rima no final!
    Adorei
    Leve e com um frescor de inocência
    London Reee, parabéns

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