Discos, Tinta, Ritmo e Drag Queens – We Love

Discos, Tinta, Ritmo e Drag Queens

A revolução começa com palavras.

E as palavras têm ritmo.
Quem não ouve, provavelmente não entende nadinha do que eu digo.

As quatro vertentes do hip hop são bem desenhadas
E as falas rimam como no rap, numa batalha

Ezekiel Fuguero é o protagonista
Porém é possível destacar outros nomes notáveis na lista

Shameik que faz Shaolin Fantastic interpretou no filme Dope
Um outro clássico moderno que o hip hop também inventou

O roteiro é tão bem escrito que as falas são versos
As vezes desritmados, outras com compassos, nunca desconexos.

Grandmaster Flash é representado da forma mais notória
Não era pra menos, ele produziu a série e com certeza é o responsável por boa parte da história

O cara que inventou scratches – ou a arte de arranhar sem danificar os discos
Tem tanta citação mágica e inspiradora que, se me pedir pra lembrar, eu não consigo

Mas teve uma que me marcou mais em determinada cena
Ele falou que o DJ vive em dois momentos, dois universos, duas realidades plenas

Uma o presente – o que está tocando agora
E outra, o futuro – o que a galera vai dançar na hora

Que ele vai soltar no disco minutos depois
Parece fácil, mais simples do que feijão com arroz

Mas é treta, e ele mostra

Que até giz de cera tem valor pra soltar a batida que a galera gosta

E por aí vai seguir o enredo
Zeke o moleque cheio de talento e que não sabe onde pôr o dedo

Na ferida de ser mais um do sistema
Ou de fazer música, voar alto, ir além do esquema

Ele representa a luta do hip hop
E a sua namorada, Mylene, vai na onda da disco que virou o pop

Os dois estilos não se anulam
Na verdade é que nem na série
eles namoram, criam e confabulam

Se completam como você vai ver
O pop cria, o hip hop constrói daquilo que o resto não quer nem saber

E pra mostrar ainda mais o que é representação
Tem graffiti durante toda a história fazendo a narração

Nos metrôs, a tinta fluorescente ilumina a noite
Cria o cenário perfeito pra um Bronx queimado até a Ponte

B-boys, b-GIRLS ditavam o ritmo sim
O seriado é tão f*da que mostra até a importância das drag queens

De como as boates GLS eram responsáveis pela fama
De grandes divas depois sampleadas nas pickups gerando grana

E paralelo a isso tudo tem o lado hustler
De como as ruas financiam o que o pro governo é Busted

Os meninos que se viram e tem que quebrar pau
Só pra fazer uma grana e cantar quem nem na motown
Eu aprendi e relembrei em 6 episódios, até passei mal
Ei, se quer uma indicação de inspiração e cultura, assiste The Get Down.

Peace out!

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
Maluh Bastos

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