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É preciso meter colher, sim

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É necessário falar, sim, sobre relacionamentos abusivos e é importante entender, de uma vez por todas, que a vítima nunca tem culpa. Os crimes contra as mulheres estampam os jornais. Diferentes idades, diferentes histórias, diferentes classes sociais, diferentes regiões… Mas o mesmo desfecho: cerca de 12 mulheres são mortas, por dia, no Brasil.

Isso, sem falar das agressões físicas e psicológicas que muitas mulheres sofrem, diariamente.

As cicatrizes são disfarçadas com maquiagem, os hematomas somem com o tempo, mas o medo e os traumas psicológicos são constantes.

Sair de um relacionamento abusivo, não é tão simples como imaginam. Mas entrar em um, pode ser mais fácil do que você pensa. Às vezes, o relacionamento começa bem, ele se mostra ser um cara legal, compreensivo, inteligente, mas, depois de um tempo de convivência, a história começa a mudar. Ciúme excessivo, pressões psicológicas, discussões, a promessa de que tudo vai ser diferente e a aparente tranquilidade e o romantismo do início do relacionamento reaparecem.

As “explosões” começam a ser mais frequentes e as agressões verbais começam a se somar a puxões de braço e tapas, sempre sucedidos do “arrependimento” e de novas promessas.

Mas, “se essa situação já está tão ruim, por que essas mulheres não vão embora?”, muitos se perguntam. Primeiro, porque uma das primeiras coisas afetadas nessas relações é autoestima da mulher e muitas não conseguem perceber esses sinais como abusivos e não conseguem enxergar o risco que correm. Segundo, porque muitas são ameaçadas. Além disso, há também àquelas que são forçadas a largar o emprego, perdem a autonomia, vivem uma relação de dependência financeira com os parceiros e são constantemente chantageadas.

Se uma mulher é agredida, a gente sabe e não faz nada, isso também é nossa culpa. É preciso meter a colher, sim! Poderia ser comigo, poderia ser com uma amiga, poderia ser com uma vizinha ou poderia ser com você. Essas mulheres não precisam de julgamentos, elas precisam de ajuda.

Darlene Braga

Darlene Braga

Jornalista, mineira e pisciana. Consegue sorrir e chorar ao mesmo tempo e não esconde os sentimentos de ninguém. Fala sozinha, assiste desenhos animados, escreve crônicas e gosta de gente que ri com os olhos.
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