Posted on

Quem diria que Larissa de Macedo Machado, carioca que cantava na Igreja quando pequena, a cantora de funk (amém), estaria no topo das paradas nacionais e internacionais. Quer dizer, acho que ela ainda não chegou nas charts internacionais, mas está no caminho como, pelo menos, uma promessa para o mercado do Tio Sam.

E, mesmo que a Anitta pare hoje, neste exato momento, de cantar, ela já pode ser considerada um ícone pop brasileiro. A cantora se juntou com as pessoas certas, na hora e lugar certo. No Brasil, que precisava de algo mais contagiante que hits de verão.

Depois de conquistar o Rio de Janeiro, explodiu no Brasil inteiro com Show das Poderosas, um hit massivo de funk brasileiro, composto pela própria Larissa Machado. Isso já poderia ser considerado um sinal de que a garota sabe – e muito bem – trabalhar sozinha.  O primeiro álbum, Anitta, vendeu bem e, agenciada por Kamilla Fialho, a cantora só ascendeu. Anitta se juntou também com três produtores com um background, no mínimo, inusitado. Umberto Tavares, Mãozinha e Jefferson Junior – guardem esses nomes.

Mas, com o sucesso, a cantora se viu insatisfeita com o rumo da administração dos seus negócios. Como uma mina empoderada e visionária, a garota de 22 anos resolveu assumir as rédeas dos seus negócios e dispensou a empresária. Isso merece aplausos, viu, gente.

Se vocês acham que isso não é nada demais, me responde: você consegue administrar bem suas 24 horas entre faculdade, trampo, academia, vida social, vida familiar, alimentar seu cachorro/gato, etc.? Imagino que não. Nós, millennials, temos uma imensa dificuldade de conseguir abarcar tudo, justamente porque muito nos é dado muito cedo. Pois bem. Tenta administrar não só a sua vida, como a vida de outros profissionais que dependem de você. Ter a responsabilidade de gerir sua própria marca, sua carreira e suas obras. É complicado.

No meio desse furdunço, em 2015 (sim, apenas três álbuns), a consagração com Bang. As tendências pop já transbordavam na obra da cantora. A arte de capa do CD e o videoclipe do single foram conduzidos pelo diretor de arte Giovanni Bianco, que também já trabalhou com celebridades como Madonna. O faro de boa gestora da Anitta entregou o videoclipe totalmente nas mãos do Giovanni. “Faz o que você quiser e achar melhor”. Ele fez. O resultado todo mundo já conhece.

A intuição artística de Anitta se somou com sua ambição – que não era pouca. Os looks foram ficando mais estilosos. As cirurgias plásticas causavam furor na imprensa, mas resultavam em decisões acertadas: Anitta nunca foi tão gostosa quanto hoje. E as parcerias…

Como adentrar no mercado norte-americano sendo latina? Através do público latino, certo? Claro.
Sim ou Não é um reggaeton que poderia ter sido facilmente produzido por um grande cabeça das produções latino-americanas internacionais. Mas, não. Foi produção de Umberto Tavares e Jefferson Junior. Lembram? Junto com o próprio Maluma, mais um cantor procurando seu lugar ao sol na gringa.

Quero deixar aqui, como produtora e DJ, minhas congratulações a esses profissionais que costumam ser muito esquecidos. Por mais que a última palavra e vários toques sejam de Larissa, foi através de Umberto, Jefferson e Mãozinha que muitas músicas ganharam vida. Tavares foi ex-backing vocal do Belo, Mãozinha ex-assistente do DJ Marlboro e Jefferson é sobrinho (pasmem) da Alcione. Os caras são muito bons. São eles que fazem você “rebolar a raba” escolhendo as melhores batidas, selecionando os melhores timbres e deixando a música mais redondinha possível.

Os três já tinham composições de sucesso antes de Anitta. Umberto é responsável por você cantar Adoleta de Kelly Key, O Baile Todo do Bonde do Tigrão e Hoje da concorrente (?) Ludmilla. Jefferson e Mãozinha também têm seus nomes nas credenciais de vários artistas brasileiros arrecadando milhões no Ecad (pra quem não conhece é o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição. É lá que os direitos autorais se convertem em bufunfa pros artistas).

Porém, não sei dizer se os outros artistas que obtiveram sucesso com suas composições destes três caras se mantiveram mais ligados a eles do que a própria Anitta. Nos seus álbuns, quase todas as músicas são composições do trio e isso, pelo que temos observado, tem gerado excelentes resultados.

Então, podemos fazer uma soma: produtores e compositores de talento + carisma + ambição + boa gestão + vontade de jogar bem na sua cara. Seria essa a equação para o sucesso?

Eu digo que sim. Os caras do Major Lazer também. Iggy Azelea, por bem ou por mal, também está sentindo o poder. E os fãs, que estão ficando cada vez mais fanáticos (perdoem-me a redundância), assinam embaixo.

Eu já cansei de tentar lutar contra a hype de Anira. Estou na fila dos encorajadores, desejando todo sucesso para a artista. Não que chegar aos EUA seja um sinônimo de topo artístico. Muita gente talentosa nunca pisou fora do seu Estado e é um grande gênio. Mas, acho que a gente pode contar com Anitta, pelo menos, pra chamar a atenção dessa gringada e confirmar que, em matéria de fazer dinheiro ancorado no talento, eles não são os únicos a tirar A na classe.

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
Maluh Bastos

Últimos posts por Maluh Bastos (exibir todos)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *