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Escolha ser gentil

Escolha ser gentil

Não sei o que acontece, mas é fato que dezembro se apresenta alegoricamente – compras, uva-passa, luzes e árvores de natal – como um mês bastante significativo para um número infindável de pessoas. Algumas vão à praia contar reflexões em números de onda; outras vão ao shopping consumir desejos reprimidos o ano inteiro confiando no décimo terceiro; outro tanto apenas se contenta com o que tem e não acha graça nenhuma nessa felicidade vendida à catálogo, publicizada e, diga-se de passagem, caríssima.

Pois cá estou eu com meus botões pensando em como encarar este dezembro. Matuto de um lado, me inquieto de outro e puxo da estante um livro – não qualquer livro – que me foi muito elucidativo em tempos de crise, de insônia, de deslocamento no mundo, de carência por dar significado à vida: Extraordinário. Já ouviram falar?

Basicamente é a história de um garotinho de dez anos que nasceu com uma síndrome genética que o levou a passar por inúmeras cirurgias e que o deixou com o rosto completamente incomum. Incomum desses que a gente olha na rua e, involuntariamente, se espanta. O enredo todo é sobre esse garotinho tentando se encaixar em um universo cruel que o olha com pupilas desviantes e caretas desencorajadoras (e estou recorrendo ao eufemismo para resumir de maneira bastante sucinta a ideia geral do livro).

Em determinado ponto, um dos professores do garoto começa uma dinâmica de preceitos que serve à história como uma cobertura boa (ou um literal balde de água fria). Trocando por menos, ele solta um preceito que diz, mais ou menos, assim: se você estiver em uma situação em que precisar escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.

Acho que escolhas são, como dizem as senhas bancárias, pessoais e intransferíveis, mas já pensou se a gente simplesmente escolhesse encarar 2018 optando sempre por ser gentil? Não, não virando as costas para os problemas. Não, não rindo da piadinha preconceituosa para parecer simpático. Não, não se calando para as injustiças do mundo. Apenas transformando toda e qualquer coisa em gentileza.

Parando para pensar sobre este ano que nos deixa logo ali na frente, posso afirmar de maneira veemente – e consciência limpa – que optei mais por ser gentil do que ter razão. Fui gentil quando meu corpo me pediu uma pausa. Fui gentil quando minha mãe não me apoiou. Fui gentil quando estava cansado. Fui gentil quando me agrediram e, definitivamente, fui gentil estando certo ou errado.

Gentileza não quer dizer que você deve sempre sorrir e agradecer. Gentileza não tem a ver com engolir a seco as coisas que engasgam. Gentileza não é ignorar os problemas. Não é não surtar, não é abaixar a cabeça, não é dizer apenas sim, obrigado. Gentileza não é sobre calar.

Gentileza é ser honesto com você e com seus limites. Gentileza é abraçar inesperado, é saber a hora certa de dizer uma verdade, é ponderar os sentimentos do outro. Gentileza é aprender e cultivar empatia, é gerar e retroalimentar pedidos de desculpa, é chorar sem medo de deixar que os outros vejam. Gentileza é não brigar para estar certo – quando é apenas ego.

Então, se vocês puderem, ressignifiquem a gentileza. Atribuam conceitos, encaixem na dinâmica diária, marquem como meta do ano que vem. Descubram o que essa simples palavrinha significa no dicionário de vocês. Se descubram. Sejam gentis. Escolham isso.

Escolher ser gentil em um mundo que parece tão absurdo e catastrófico é como plantar uma árvore: por menor que pareça o ato, mudará, de uma maneira grandiosa, o futuro.

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Ronaldo Gomes

Ronaldo Gomes

Estudante de jornalismo que teoriza sobre qualquer besteira que encontra pela frente. Adora dançar – não na frente das pessoas – e escreve em um ritmo sobre-humano, ou gostaria. Já cantou em um coral, escreveu a própria biografia quando tinha menos de 10 anos e hoje vive contando histórias sobre a inimaginável capacidade humana de ter sentimentos.
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