Estrelas no teto • We Love

Estrelas no teto

Estrelas no teto

Quando pequena, se tinha uma coisa que me encantava eram as estrelas que a minha irmã tinha no teto do quarto. Coladas, claro, mas, pra mim, elas eram livres e compunham um universo paralelo. Elas acendiam amarelas fosforescentes, não piscavam e cada dia pareciam estar em uma posição diferente. Era bom deitar (escondida) na cama dela e ficar olhando pr’aquele céu particular.

Eu sempre quis ter um céu daqueles, mas as estrelas dela vieram de alguma viagem que eu não fiz. Nunca cheguei a alcançar o teto pra pegar uma pra mim. E, um dia, elas sumiram. Foi a maldita tinta; a maldita mania de pintar a casa, a maldita mania de a gente crescer e deixar que alguns encantos se vão para sempre. As estrelas perderam o brilho; as estrelas sumiram no meio de uma imensidão branca, mas eu me lembro delas até hoje.

Ficavam no cantinho, eram muitas, tinham como vizinho um planeta parecido com Saturno, tinha um foguete, que passeava no meio delas quando a gente fechava os olhos – tenho certeza. Eu ainda sinto por não ter crescido a tempo de pegar uma delas pra mim e levar por todos os tetos onde dormi. E não ia deixar nunca que nenhuma tinta apagasse o brilho dela. Nunquinha mesmo, nem nos meus dias mais nublados.

Roberta Profice

Roberta Profice

Jornalista, carioca, mãe do Du, dona da Martha, cervejeira, que divide seu coração entre a Má, a praia, a escrita e a cozinha. Nada necessariamente nessa ordem. Escreve todas as sextas.
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