Eu decidi que não vou te odiar • We Love

Eu decidi que não vou te odiar

eu decidi que não vou mais te odiar | pixabay

Decidi agora de manhã que não vou te odiar. Não vou plantar todo esse rancor em terreno de coração que precisa de sementes boas. Meu coração sempre foi lugar fértil pro amor, sempre rendeu as sementes, e, se algumas não nasceram, é porque as pessoas esqueceram de regar e de cuidar da terra. Eu decidi agora de manhã que vou te olhar sempre com os olhos de quem quer te conhecer e te quer pra vida toda, mesmo que o nosso fio esteja o mais longo possível, mostrando a nossa distância.

Meus amigos gostariam mesmo que eu te odiasse, afinal, você só me fez mal nesses últimos tempos. Eles pedem para que eu te esqueça, para que você desapareça, para que o seu número vire sequência de azar, que suas fotos sejam a prova de um amor-bomba-de-mentira-que-eu-me-apeguei. Mas eu sempre gostei de explosões. Eu gostava desses erros seguidos e da forma que você voltava. Da forma que você me distraia, da forma que você ria sem graça, da forma que você me olhava, a gente se desejava, a gente se queria, e de uma hora pra outra, o querer virou veneno, e esquecer virou o único remédio que não vende na farmácia e que a receita era a mesma de sempre: ignorar.

Agora de manhã, nas milhares tentativas de pensar em te odiar, eu pensei que no futuro que bate aqui perto, um dia você bate aqui na porta de casa, pedindo pra entrar, pra sentar e tomar um café comigo. Tomar meu tempo. Tomar minha noite. Tomar minha semana, meu mês e depois a minha vida. Vai bater aqui depois de chorar de saudade, depois de todos que passaram na sua vida e não conseguiram te marcar como eu marquei. Vai bater aqui pedindo pra gente casar, pra gente fugir, pra gente esquecer de todas as dores e viver aquele amor escondido depois de tanto tempo. Vai bater aqui, vai bater em mim, vai me perguntar porque a gente aceitou se abandonar, deixou de sentir tudo aquilo, deixou que o nosso “pra sempre” morresse e ficasse no “deixa pra lá”. Vai perguntar se eu ainda te amo e se eu tenho planos, se eu tenho vontades, se eu tenho medos e desejos. Vai me perguntar se eu ainda tenho a coragem de viver tudo de novo, de intenso, de colocar a alma nisso, de colocar a vida nisso e colocar a esperança na gente.

E eu vou concordar com você.

E eu vou te perdoar.

E eu vou te dizer que você pode ficar sempre se quiser, se der e se tiver amor.

E quando eu voltar pra você, volto inteiro.

Mas, até lá, eu te peço que não me peça mais nada.

Gustavo Munhoz

Gustavo Munhoz

19 anos, estudante de Filosofia, lê poesia em tom baixo mas com o coração gritando.
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