Eu tenho orgulho – We Love

Eu tenho orgulho

Eu tenho orgulho de todas as pessoas que lutaram por mim no fatídico 28 de junho de 1969, no bar Stonewall, em Nova York, quando membros da comunidade LGBT resistiram às violentas investidas policiais.

Tenho orgulho de todos os movimentos que vieram depois e me ajudaram a sobreviver. Aqui no Brasil e em todos os lugares do mundo.

Tenho orgulho de amar mesmo tendo medo, mesmo sendo agredido, mesmo com uma arma apontada na cara.

Tenho orgulho.

Uma definição muito simplória do termo fala em prazer, amor próprio, sentimento de satisfação. E entre tantos dedos apontados, entre tantas piadas veladas, entre tantos assassinatos – o sangue pingando das mãos consentidas – quero dizer: eu tenho orgulho.

Tenho orgulho de não ter desistido quando, na escola, murmuravam e gritavam viadinho. Tenho orgulho de ter tido coragem de continuar quando me bateram e falaram seja homem. Tenho orgulho de ter levantado quando caí – e caí tantas vezes! Eu tenho orgulho!

Eu tenho orgulho de não ser apenas alguém, mas alguém-que-é-gay. Podem me adjetivar assim, podem colocar em todas as colunas de fofoca, fazer uma tatuagem na minha testa. ELE É GAY!

Muitas pessoas morreram para que eu pudesse chegar até aqui. Para que eu pudesse TER ORGULHO. Caíram muitos para que eu continuasse firme. Verdadeiras e épicas batalhas foram travadas para que eu conseguisse adotar, para que – mesmo temendo – eu andasse de mãos dadas com um namorado, para que eu pudesse dizer para todas as pessoas: esse sou eu.

E esse sou eu.

Esses somos nós.

Temos orgulho de resistir. De sobreviver.

Nós temos orgulho e somos estatística. Somos números em uma escala histórica de violência, agressão e morte. Só no ano passado o Brasil registrou mais de 120 mortes de travestis e transexuais por crime de transfobia. Do T da nossa sigla escorre o sangue da bandeira. E não apenas. Os números crescem diariamente.

Ontem foi o dia do Orgulho LGBT. Foi o dia de dizer que nós estamos orgulhosos e agradecemos às pessoas que lutaram por nós no passado. Que a data seja nosso presente contínuo. Que a causa seja universal e que a luta seja minha, sua, nossa.

Agora que nós tivemos a chance de sair do armário, ninguém nos prenderá de novo. O mundo ficará colorido e o arco-íris não aparecerá apenas depois da chuva. Pelo contrário… Estamos todos colocando a cara no sol – e esse é nosso jeito de dizer: ESSE ORGULHO É NOSSO!

Ronaldo Gomes

Ronaldo Gomes

Estudante de jornalismo que teoriza sobre qualquer besteira que encontra pela frente. Adora dançar – não na frente das pessoas – e escreve em um ritmo sobre-humano, ou gostaria. Já cantou em um coral, escreveu a própria biografia quando tinha menos de 10 anos e hoje vive contando histórias sobre a inimaginável capacidade humana de ter sentimentos.
Ronaldo Gomes

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