Fechado por motivo de inferno astral • We Love

Fechado por motivo de inferno astral

Um inferno astral absurdo

Um mês antes do seu aniversário, a sua vida vai virar de ponta-cabeça. Você vai dar com o pé num buraco de uma rua mal asfaltada e vai tropeçar no meio de um monte de gente. Seu bilhete único vai ficar sem saldo e você vai acabar tendo que sair daquela fila gigantesca da catraca pra ir recarregar – e a máquina de cartão de débito não vai estar funcionando, te fazendo ir até o banco mais próximo (2,3km) pra sacar dinheiro no caixa físico, porque o caixa eletrônico só vai ter nota de R$50 e você vai ter R$34,16 na conta.

Seu metrô vai quebrar, sua melhor amiga vai começar a te odiar e você não vai conseguir ficar com aquela pessoa que habitou seus sonhos o ano todo e te deu bola até ontem. Ontem. Hoje, essa vai ser a pessoa que vai responder seu “Bom diiiiaaaaa!” com “Oie! Tudo bem?” quatro horas depois. Você vai perder um documento importante, seu fone de ouvido vai parar de funcionar de um dos lados e sua caneta preferida vai acabar. Você vai pedir uma carona pra pessoa de sempre e acabar recebendo “te deixo no ponto!” como resposta.

Ninguém vai querer ouvir suas histórias, você vai se sentir sozinha e sua mãe vai ignorar suas mensagens. Você vai levar bolo de todo mundo, seu café vai esfriar na xícara e a sua água vai esquentar na garrafa.

O inferno astral é o momento em que seu sapato de sempre vai apertar muito seu pé, você vai tirar disfarçadamente embaixo da mesa e alguém vai reclamar do chulé. Você vai sentir seu próprio chulé e querer morrer. Sua música preferida vai te irritar, você vai descobrir um artista incrível, cujo último show do ano foi no dia anterior, e seu caderno vai acabar.

E aí, quando seu aniversário chegar e aquele bando de gente que você ama começar a cantar “o azar é só dele, cada ano que passa ela fica mais velha”, você vai torcer pra idade ser seu único problema dali pra frente, porque não tem mais espaço no corpo pra tanto roxo nem no celular pra mais mensagens não-respondidas. E vai ficar tudo bem no dia seguinte. Eu acho. Eu espero. Imploro.

Pedindo piedade,
Uma sagitariana desesperada

Gi Marques

Gi Marques

Sou a poesia da contradição de tênis e batom vermelho escrevendo histórias que vivi e inventei (qual é qual já não dá pra te contar).
Gi Marques

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