A gente tá bem, sim • We Love

A gente tá bem, sim

A gente tá bem, sim! Cachorro, mulher, feliz, fofo | Foto: Pexels

Tava lendo a coluna dessa semana do Gregório na Folha de São Paulo (não vamos abrir discussão a respeito de nenhum dos dois, combinado?) e, nela, ele fala sobre a delícia que tem sido ser pai: sem “mas”. Porque todo mundo reclama que criança faz cocô na fralda e suja a cama com mini lençóis recém-trocados, fala de criança que esperneia e faz birra antes de aprender a engatinhar e parece que mira na sua boca pra fazer xixi. Mas pra ele tá tudo bem. O ode é maior que o bode – e ele tá bem.

Às vezes, a gente passa por uma grande onda de coisas ruins e vira a pessoa chata pra quem você não pode perguntar “tudo bem?” que recebe um balde de reclamações sobre a vida, as pessoas, as relações: São Paulo, você sabe. Mas aí passa, sabe? A terapia ajuda e as coisas acabam se aquietando e fica tudo bem. A gente consegue falar que tá tudo bem nas relações interpessoais, os amigos são ótimos, a gente encontra uma pessoa que acalma o peito só por existir e estar pertinho. Não sei vocês, mas eu tenho um beijo guardado no bolso para os momentos de desespero e a certeza de que, se eu precisar, tenho amigos com quem desabafar, um pai que me abraça forte e uma pessoa disposta a carregar minha bolsa de viagem no ombro, mesmo que a má ideia de viajar de bolsa ao invés de mochila tenha sido minha – e o convite pra jantar no domingo a noite de mala e cuia, também.

É óbvio que, se caçar, vai achar um monte de coisa pra reclamar. Eu, por exemplo, ainda tô muito longe de ficar rica, podia estar dormindo mais e me estressando menos; A História Que Nasci Para Contar tá longe de ficar pronta e eu sinto que estou escrevendo cada vez menos esse livro. Mas, veja só, nunca escrevi tanto nos meus diários e voltei a desenhar. Tenho acordado disposta e feliz, tenho caminhado mais e há semanas não tenho crises – nem de desespero, nem de asma, nem existenciais.

Podia estar melhor? A gente sempre pode e vive pra melhorar no que dá. Mas podia estar tão pior. Podia ter tanta coisa ruim acontecendo. E, olha, vá lá: a gente tá bem. Apesar da conta bancária. E desse sapato que machuca o pé. E das águas de março, abril e maio de São Paulo. E de Marielles, Wagners, Zés, Joãos. E do Corinthians. Meu Deus, ainda bem que a gente tá bem apesar do Corinthians. Se fosse depender dessa escalação pra ficar feliz, ia ser só lençol com cocô mole pra todo lado.

Gi Marques

Gi Marques

Sou a poesia da contradição de tênis e batom vermelho escrevendo histórias que vivi e inventei (qual é qual já não dá pra te contar).
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