Gordinhas saradas – We Love

Gordinhas saradas

ilustração de uma bailarina feira por George Petty

Tem pouca coisa mais irritante do que gordinhas saradas. Você sabe, elas não são fortes e magras e nem tem cinturinha; elas são gordinhas e saradas mesmo. Nenhum furinho de celulite, pernão, batatão e, nove entre dez vezes; cabelão. Elas passam por você correndo – literalmente – e você pensa “tudo bem, já já ela não aguenta mais e para, vou manter meu passo, afinal, eu vou correr 10K hoje”, só pra cruzar com ela voltando, toda pink e suada, mas ainda naquele mesmo passo.

E quando elas aparecem de duas ou três? Tênis Asics ou Nike, legging de cor clara, top preto e camiseta de alcinha. E elas correm. Batendo papo. E rindo. Eu gosto de correr sozinha. Até porque, se resolver bater papo, acho que tenho um infarto.

Inevitavelmente, aperto meu passo quando elas aparecem de turma. Acho injusto me deixar assim, tão pra trás. Não duro mais do que uma música, mas acompanho por uns quatro minutos. Tenho certeza que eu li em algum lugar que variar a velocidade é bom pra treinar a resistência. Quando eu era jovem e nadava cinco vezes por semana – note, cinco vezes – era. Não deve ter mudado muito. Então eu acelero, mantenho uma distância segura e fico torcendo pra Rihanna ou o David Guetta acabarem a música de uma vez e eu poder ir mais devagar.

No Verão eu sempre noto as gordinhas saradas muito mais do que no inverno. Parece praga. Não importa a hora em que eu saia pra correr, elas estão por tudo. Me fazendo pensar na cerveja extra que eu tomei ontem, no pão do couvert do Maialino que eu podia ter evitado já que ia comer macarrão no jantar.

Eu acho que não sou só eu que fica de bode delas. Aposto que as gostosas e as magrelas também. As primeiras devem pensar em todas as vezes que deixaram de comer um doce ou uma batata frita por causa da proteína ao ver o coxão forte de uma gordinha sarada e morrer de dor de cotovelo, e as segundas simplesmente queriam ser assim.

Acho que só aqueles yogis contorcionistas que resolvem se exibir na grama do parque no final do dia me enervam mais do que as gordinhas saradas. Totalmente desnecessário exibir esse controle todo do seu corpo perfeito, né, querido? Né, querida? Eu aqui, sentindo meu ciático puxando, “mira na Freedom Tower, pensa que você tem uma linha de chegada” e você aí, de ponta cabeça, coluna retinha, pés apontando pra lua? Precisa?

Pessoa fazendo yoga no final da tarde em uma praia

Yoga final de tarde na praia | crédito: David Gil/Flickr

Fefa

Administradora, wannabe escritora. Tenho alergia a quem usa muito jargão, acha que design thinking é novidade e não respeita o tempo dos outros. Se eu pudesse viajar no tempo e conhecer uma pessoa, essa seria a Rainha Elizabeth I.
Fefa

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