Guia prático para sobreviver com síndrome do pânico • We Love

Guia prático para sobreviver com síndrome do pânico

medo se escondendo | pixabay

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É normal se sentir mal.

Eu criei essa frase agora e vou me manter com ela até o fim do texto, por que né? Coerência.

Se você é mais um daqueles que fica perplexo(a) com comerciais de refrigerante e/ou hotéis, onde os jovens se apaixonam, andam de skate e bicicleta, viajam pelo mundo, tem dentes super bem tratados, bebem todas e não vomitam e que abraçaram o projeto fitness como quem agarra um pote de Nutella, e não se imagina, de jeito nenhum, fazendo qualquer atividade supracitada, talvez você queira prestar atenção nesse guia.

Faça de conta de que os exemplos acima realmente existem. Porque eles existem.

Duvida que não? Então você provavelmente deve ficar ainda mais atento aos tópicos que vou descrever depois que fizer essa introdução que vocês vão rolar os olhos rapidamente.

No meio do furacão da ‘liberdade’ e da globalização, evolução, digitalização e tudo o mais, nasceu também um bichinho chamado ANSIEDADE. Esta criatura que geralmente começa pequenininha, naquele retumbar do coração quando você vai dar o primeiro pulo de cabeça na piscina, ou quando fica sozinho (a) pela primeira vez em casa e uma leve sudorese brota na palma da sua mão; nos dias de hoje, evolui rápido como uma galinha alimentada com hormônios loucos do crescimento. Em questão de poucos anos – ou meses, se você for sortudo – você já está com medinho de ter um ataque cardíaco no avião e não vai visitar sua avó em Campo Grande por causa disso.

De repente, não mais que de repente, você também não consegue dirigir por muito tempo num engarrafamento sinistro das 18h na Marginal, porque bate uma discreta vontade de se jogar pela janela e sair gritando socorro para que um helicóptero dos bombeiros desça magicamente do céu para te resgatar.

Ah! Como esquecer do princípio de AVC que costuma vir nas horas mais inoportunas, e você jura que foi ‘do nada’?

É uma vida muito difícil.

Mas, como portadora desses medinhos tão serelepes, vou tentar ajudá-los com algumas pequenas dicas que aprendi no meu dia a dia e que, sei lá, podem fazer bem para você também.

1)     Acredite em Deus. Buda. Ala. Krishna. Xamãs. Ogum.

Dizem que ajuda em muita coisa quando você tá em crise, mas… há controvérsias. De qualquer forma, não custa nada. Quanto maior o numero de seres sobrenaturais em que você acreditar, maior a chance de sair dessa.

2)     Finja que está tudo bem.

Também não é das melhores dicas, mas tem que ficar na lista porque, eventualmente, vai que funciona…

3)     Converse com um estranho.

Você pode puxar um assunto aleatório com um transeunte e atrapalhar totalmente o dia dele, sem um pingo de saco para suportar suas lamúrias sem sentido, mas vai que cola, não é? Geralmente, alguém pode dar a mínima e fazer uma pergunta ou duas, mas depois, tudo volta ao normal e o indivíduo vai seguir normalmente com a vida sem problemas dele.

4)     Pense em coisas legais.

Pode ser filme, música, videoclipe, peça de teatro, qualquer coisa. Se fechar os olhos, melhor ainda. Memorize tudo isso e tente esquecer tudo que está ao seu redor. Mas, cuidado para não ficar pensando que se formou um buraco negro e você foi sugado para uma dimensão rarefeita, onde o ar não chega aos seus pulmões. Esta é uma técnica avançada.

5)     Respire fundo.

6)     Respire fundo.

7)     Respire fundo.

8)     Assista a qualquer coisa.

Depois de respirar fundo três vezes no mínimo (não existe limite máximo), assista ao maior número de comédias românticas que puder assistir. Talvez o roteiro patético possa te distrair por alguns minutos da sua realidade trágica, antes que você comece a tremer e a suar novamente, procurando como um maníaco pelo Bromazepam mais próximo.

9)     Fique longe da comida!

Você pode morrer com um ataque no miocárdio, mas não por obesidade. Fora Bromazepam, Citalopram e todos os outros ‘ams’ da vida, também existem os relaxantes musculares e anti-alérgicos que dão sono e podem te livrar desta vontade maligna que vai cravar suas garras fundo no seu estômago – como se você não comesse desde a inflação.

10)  Pense positivo: você não está sozinho!

Como última e melhor dica, eu digo: saiba que você não está só e não é o único(a). Esta consciência ajuda nos momentos em que você tiver ódio escaldante de si mesmo, depois de voltar pra casa daquela festinha onde tava rolando shots de Absolut de graça.

Claro que existem outras milhares de dicas que eu poderia dar agora, mas, vou pedir licença porque estou sentindo um leve mal estar por medo dos comentários que possam surgir com este tema.

OBS.: Este texto é, obviamente, de teor humorístico e algumas das dicas acima podem, sim, funcionar – com um pouco de bom senso, claro. O que a autora indica mesmo é muita risada, amigos, família, animais de estimação e um acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico para superar essa barra. Tamo junto! ;)

Maluh Bastos

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
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Comments

  1. Ansiedade é uma coisa muito escrota, quando você acha que tá tudo bem, ela vem e aparece. Já tive umas crises bem bizarras e, por incrível que pareça, tentei fazer tudo que você disse no texto, menos parar de comer (sucks).
    Parabéns pelo texto e sucesso no blog :)

    Beijos :*

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