Incômodo • We Love

Incômodo

black swan stage ballet | reprodução

O que me incomoda entre nós dois é bem simples:

Primeiro: não há nós dois no sentido mais completo do significado. Não compomos um par em nenhuma forma. Amigos? Não. Amantes? Não. Casal? Não. Colegas? Talvez. E isso não te incomoda. Mas me incomoda.

Segundo: você costuma explanar suas ideias diretamente. Mas não comigo. Vejo-me presa num emaranhado de indiretas, colocações subjetivas e simbolismos que talvez nem sejam simbolismos, mas me pego pensando se eles têm algum significado em relação a mim. Ou seja, nada é direto. É mais torto do que as linhas que tento desenhar num pedaço de papel sem régua sem o mínimo de destreza para isso.

Terceiro: você é profundo.

Algum problema nisso? Nenhum. Aliás, bom demais.

A questão é que eu sou para você uma das coisas mais superficiais que existem na sua vida. Enquanto tudo ao seu redor é motivo de música, eu sou a ouvinte que vai dizer se aquilo é legal ou não. Vejo-me no papel de espectadora quando eu gosto de ser a inspiradora.

Vejo-me no papel de público quando nasci para ser a estrela.

E isso, meu amigo, me incomoda e muito.

Talvez isso seja uma necessidade por atenção. Talvez seja apenas um resquício de que eu não te esqueci por completo.

Não, não quer dizer que estou apaixonada por você. Não se assuste nem se afaste covardemente como os garotões do século XXI tanto gostam de fazer quando alguma garota apenas expressa seus sentimentos.

Mesmo não sendo este o caso, nutro sentimentos maiores que os seus. Gosto da nossa relação – por mais indefinida que seja. Aliás, para mim, indefinição não quer dizer ausência de gostar. Só quer dizer que aquilo é muito gostoso para se encaixotar com rótulos.

De fato, não acho que você merece rótulos. Nem eu. Detesto-os.

Porém, acho que nós dois (mesmo não havendo essa conjunção) merecemos, sim, um carinho maior. Sentimentos livres assim são raros e difíceis de achar. Lembrando que livre não quer dizer vazio. Descompromissado não quer dizer jogado. E “longe” nunca foi sinônimo de “esquecido”.

Espero que tenha sido clara. Até porque não quero me ver presa nas indiretas. É claro. É objetivo. É para você mesmo.

Maluh Bastos

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
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