A incrível geração que desaprendeu a amar • We Love

A incrível geração que desaprendeu a amar

a incrível geração que desaprendeu a amar | pixabay

Hoje não vamos falar sobre o nosso desejo desmedido de encontrar um amor, nem das nossas dores, muito menos das nossas esperanças. Vamos exatamente do movimento que vem tomando as pessoas: o desejo sub-humano e triste de não querer encontrar um amor, fugir das dores ou deixar de ter esperanças. Hoje vamos falar da incrível geração que desaprendeu a amar – e se orgulha disso.

De noite o celular tocou. Caramba, mensagem daquela pessoa que você sempre quis conversar. E agora? Se responder rápido, é desespero. Melhorar demorar para responder, mostrar que não está tão disponível assim, sem tempo, sem vontade talvez, melhor assim. Vai que acaba pisando. E assim começa a conversa, com duas pessoas mais armadas com pedras do que com flores. Vamos fazer uma aposta sem os dois saberem: quem demorar mais, ganhou. Ganhou desinteresse, ganhou a falta de assunto (sabendo que podem falar até sobre o café), e perdeu também, perdeu a chance de conhecer alguém incrível, seja para um casamento na beira da praia, seja para um açaí de fim de semana.

Mas, a culpa jamais será dos dois. Ninguém vai admitir a derrota. Ele era meloso demais, ela não curtiu. Ela queria saber os horários, ele odiou. Do nada, perderam a graça, e lá se foi a vontade, e lá se foi o contato, lá se foi o sentimento que nem pôde nascer, teve que ser extinto antes. Pelo jeito, amor aqui não. Que tenha raiva, mágoa, ódio, desespero, críticas, mas amor não. Essa praga aqui não.

E assim, ficamos doentes. Doentes porque carinho demais virou carência; palavras demais viraram mentiras; presença demais virou vício; preocupação virou insegurança; ciúmes virou posse; certezas viraram dúvidas; banalizaram tudo que foi sincero em prol da tropa do coração de gelo. Que não derrete. Que não quebra. Que não sente, não vê, não chora, e nem existe. A geração que cobra tanto amor, e não sabe retribuir. Querendo as pessoas perto dos olhos, mas bem longe do coração. A geração que apenas ouviu falar de reciprocidade e empatia no dicionário, e nem buscou o significado. A palavra pouco importa, mas a falta dela machuca.

Por isso, nós que não somos assim viramos os loucos. Os que amam demais, sentem demais, demonstram demais, gritam demais, abraçam demais, olham demais, cobram demais, mas nunca, nunca, poderemos ser acusados de ter feito algo de menos. Simplesmente, para todos aqueles que abriram mão da imensidão que é se jogar num precipício torcendo para o chão não chegar, dizemos: sentimos muito por vocês sentirem tão pouco.

Gustavo Munhoz

Gustavo Munhoz

19 anos, estudante de Filosofia, lê poesia em tom baixo mas com o coração gritando.
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