Kanye, Kim, Taylor e a lei • We Love

Kanye, Kim, Taylor e a lei

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Hoje minha Internet tá povoada pelo último episódio dos Kardashians. Gozado, porque falei neles ontem. Fui ao show do Coldplay com a Mari e comentamos a quantidade de meninas com trança no cabelo.

Eu, a nerd: Deve ser por causa do Game of Thrones.

Ela, a pop rebelde: As Kardashians usam muito. É por isso. Detesto.

Discutimos a família K por uns vinte minutos, confessei nunca ter visto um episódio completo enquanto ela me contava que sabe da vida deles por causa do @HugoGloss. Mudamos de assunto. Me conta da escola, Mari.

Hoje de manhã a confusão estava instalada na interwebs por conta do bafão: a Kim teria ficado de saco cheio da Taylor negar que soubesse da tal música do Kanye e foi lá e soltou um vídeo em que ele conversa com a Taylor e lê a letra pra ela. Ela acha divertido, bacana ele dividir.

Entre atentados terroristas, policiais assassinados, o Brexit e o início da potencial coroação do Trump (socorro) a internet veio abaixo porque, afinal, todo mundo lembra (oi?) de quando ela fez o discurso no Grammy.

A Kim, fiel escudeira, sempre disse que as reclamações da Taylor eram infundadas e ontem ela avisou no Twitter pra todo mundo segui-la no Snap (#ficaadica pro Twitter investir mais no Periscope) que ela ia causar. E foi exatamente o que ela fez.

Honestamente, acho todos uns chatos. A Taylor com aquela carinha de santa, toda “eu sou a única mulher a ter ganho duas vezes o Grammy de melhor álbum, mas tem gente me botando pra baixo”. Ai que saco, menina. Vai lá e usa teus milhões para amadurecer mais rápido e não entrar em confusão com gente que vive de confusão. O Kanye com as loucuras dele, já deixou de ser engraçado e a música dele – na minha opinião – piorou. A Kim. Por favor, o que é a Kim com aquele corpo totalmente siliconado e aquelas roupas horrendas? Gente chata. Ocupando o airtime dos refugiados da Síria. Chatos.

Mas aí o Guardian vai lá e faz uma matéria que provoca reflexão. Kanye West pode ser processado pela gravação. O estado da Califórnia diz que, para gravar uma conversa, ambas as partes precisam concordar e Taylor, óóóbvs, não concordou.

Pouco interessa quem fez quem ficar famoso. Até onde eu entendo o conceito de fama, somos nós que fazemos alguém ficar mais ou menos conhecido: nós; a audiência. Infelizmente, a gente dá mais atenção a essas pessoas do que ao perigo de ter um maluco na presidência da maior economia mundial, ou aos absurdos que já estão acontecendo pré-Olimpíadas no Rio de Janeiro. O que me interessou foi essa parte do “pode ser processado pela gravação”.

Hoje, a gente grava tudo. Grava e posta. Eu nunca pedi autorização de ninguém pra gravar. E só peço pra postar quando a amiga depois me manda inbox reclamando que a foto ficou horrível. Melhor perguntar antes do que perder a amiga. E, na Califórnia, isso é contra a lei. E, quer saber? Acho que devia ser no mundo inteiro.

Se tudo o que a gente faz está sendo gravado e dividido com o mundo – e eu confesso ser total oversharer – acho que deveríamos ter algum tipo de ferramenta para regulamentar o quanto queremos ter de exposição. Minhas fotos do final de semana são uma celebração de horas felizes passadas ao lado de amigos queridos. Eles mais do que autorizaram seu uso. Mas, quando penso em episódios menos agradáveis – e nem precisa ir longe, pode ser apenas uma conversa imaginada como privada – acho que não deveria ser tão simples assim uma pessoa gravar e dividir um momento. O Mark pode achar que a privacidade acabou. Mas eu não concordo.

Fefa

Fefa

Administradora, wannabe escritora. Tenho alergia a quem usa muito jargão, acha que design thinking é novidade e não respeita o tempo dos outros. Se eu pudesse viajar no tempo e conhecer uma pessoa, essa seria a Rainha Elizabeth I.
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