Lingerie vermelha • We Love

Lingerie vermelha

red lingerie

Saímos num sabadão qualquer. Insisti para fazermos um programa diferente porque sabemos o quanto um namoro pode cair na rotina.

– Vamos sair pra beber, amor. Insisti. Um pouco relutante, ele acabou cedendo e escolheu o lugar.

Um pub bem descolado e underground. Cerveja barata, shot de tequila double, porção de batata frita saindo a toda hora. Claramente, o lugar combinava mais com ele do que comigo. Mas tudo isso fazia parte do plano. Quase dois anos de namoro, eu queria mesmo chamar atenção dele com algo especial. Ele nem sabia que por trás daquele convite casual pra sair e beber, minha mente estava cheia de segundas intenções.

Dias antes, corri no shopping com uma amiga pra comprar um lingerie vermelha. Primeiro porque essa cor cai bem na minha pele. Segundo porque ele disse que gostava, então, eu quis fazer algo para agradá-lo e, talvez, motivá-lo. Não é que ele não me amasse mais, nem sentisse interesse. Mas estava muito acomodado. O namoro acaba fazendo a gente cair numa monotonia quase que obrigatória, meus amigos. Cuidado. O sexo que no começo é quase todo dia, no decorrer dos anos, acaba ficando secundário. Um namoro não é feito só de sexo, mas ainda precisamos dele. Não acham?

Mas voltando pro sabadão descompromissado. Fiquei olhando os movimentos sutis deles que sempre me encantaram. Entre uma baforada de cigarro e uma golada de cerveja, ele ria e fazia comentários aleatórios sobre a luta de MMA que passava no telão. O ambiente abafado me deixou com calor. Tirei o casaco e fiquei somente com o vestido, mas que mostrava facilmente uma alça vermelha do sutiã novinho em folha (comprado especialmente pra essa noite, só ele que não sabia).

Ao voltar do banheiro, fiz questão de sentar ao lado dele. Eu mascava um chiclete de menta, depois de também dar uma golada na cerveja dele. Entre uma brincadeira e um comentário aleatório, roubei um beijo que me fez lembrar o motivo de amar tanto aquele homem. Por motivos óbvios, o clima começou a esquentar (ainda mais), fiquei feliz. Aparentemente o plano estava dando certo. Quando ele perguntou se eu queria ir pra outro lugar enquanto ele pagava a conta, eu disse que tinha uma surpresa.

– Na verdade, eu já fiz uma reserva num motel pra gente.

– Nossa. Não esperava por essa. A gente tá comemorando alguma coisa especial que eu não sei?

– Não, amor. Na verdade, de especial já existe a nossa relação. Mas essa noite, realmente, eu quero que seja diferente, então, preparei uma surpresinha pra gente.


Ele deu um beijo na testa dela, entrelaçou os dedos e sorriu.

– Então, vamos lá.

Colocaram o endereço do motel no Waze e não foi muito difícil de encontrar. Chegando lá, ela disse que precisava ir ao banheiro rapidinho e que voltaria já já. Enquanto isso, ele ligou na recepção e pediu para entregarem uma garrafa de vinho. Ouviu barulho de chuveiro ao fundo.

– Você disse que ia ser rápido, amor.

– Prometo que vai valer a pena.

O vinho chegou antes dela sair do banheiro. Ele abriu, serviu as taças, tirou a camisa, encostou na cama. Gostava de apreciar bem o aroma do vinho antes de começar a tomar. De repente, as luzes do quarto se fecharam. Tinha somente a luz do banheiro acesa ao fundo. Somente um facho de luz com a porta semiaberta.

Ela começou a se aproximar. Devagar. Passo a passo. Deitou ao lado dele na cama e sentiu seu rosto ser tocado.

– Você está usando uma máscara, ele sussurrou.

– Hoje é o dia de você realizar as suas fantasias, ela falou baixinho sorrindo.

Ele tinha mãos grandes que ela conhecia muito bem e gostou quando começou a ser tocada. Num movimento rápido e habilidoso, ele tirou o roupão dela e se deparou com uma lingerie vermelha.

– É a sua cor favorita, ela disse no pé da orelha.

– É por isso que eu amo você.

Os minutos seguintes foram de bastante desejo. Os corpos suados se abraçavam, se tocavam, se sentiam. Embora eles namorassem há quase dois anos, parece mesmo que naquele momento surgiu algo novo. Ele acariciava o cabelo longo e preto dela, enquanto ela mantinha a cabeça deitada no peito dele. Em silêncio os dois apenas sorriam, desfrutavam e sentiam a beleza daquele momento.

– Ainda bem que eu resolvi tomar a iniciativa e fazer algo diferente com ele hoje.

Valeu a pena. Pensou sozinha.

E então, deitados um de frente pro outro, se olharam mais um pouco, até o sono fechar os olhos calmamente. E perceberam naquele momento de intimidade e simplicidade, o quanto um era essencial na vida do outro.

Regine Luise

Regine Luise

Jornalista por formação, poeta por opção, escritora por inspiração. Conselheira amorosa de boteco, romântica de carteirinha assinada. Escreve para expressar o que pensa, sente e, principalmente, quem é.
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