Por que amamos nossos amigos • We Love

Por que amamos nossos amigos

Amigos | Pexels

Nota da Autora: Esse texto pode ser lido ao som de I’ll Be There For You, trilha de abertura do sitcom Friends.

Embora muita coisa pese – inclusive a balança -, envelhecer é caminhar na direção do entendimento sobre o que é estar aqui, aquele que você jura saber na juventude, mas que, na verdade, essa sabedoria efêmera não passa de devaneio etílico. Dentre as lições que os 30 (e muitos) me trouxeram, está a definição de amigo.

Pra mim, amigo era aquele com quem você trocava confidências, que dormia na sua casa, te acompanhava nas festas, te ligava cedo pra praia, aquele que estava com você nos melhores momentos. Aquele com quem você tem dezenas de fotografias. Aquele que te lembra dos porres, dos micos, dos cortes de cabelo cafona, etc. Hoje, minha visão aponta em outra direção.

Amigo não precisa de uma linha cronológica, não precisa te lembrar que esteve lá quando você cometeu aquela gafe na escola ou lembrar da bronca dos seus pais naquele dia que chegaram tarde. Amigo não tem prazo, amigo não tem necessariamente bagagem, amigo não esteve, amigo está. Amigo chega e fica, finca bandeira, faz de semente raiz, de onde brotam galhos que te protegem dos dias quentes ou da chuva fria.

Amigo não brada o quanto te conhece, amigo te conhece em silêncio, te olha e simplesmente vê. Amigo é coisa de alma, não história de agendas cheias de adesivo. Amigo, de verdade, não te conheceu necessariamente na creche, na escola, no prédio, te reconheceu em qualquer momento da vida e respeitou cada passo que você deu (mesmo temendo seus tombos).

Amigo te reconhece nos gostos, nas diferenças, nos sonhos, planos, ideias. Amigo respeita as suas escolhas, mesmo que essas não sejam aquelas que eles mais sonhavam pra você. Mesmo que sejam completamente diferentes das dele. Vocês não precisam ser iguais, precisam apenas ser alguém um pro outro.

Amigo que é amigo não sonha POR você, sonha COM você. Amigo não arruma desculpa, arruma um jeito. Amigo não chantageia, manda logo pra casa do car****. E depois liga como se nada houvesse, pedindo aquela blusa amarela, companhia pra um chopp, um conselho, pedindo ajuda. Amigo perdoa, demore o tempo que for. Amigos se desencontram, mas jamais se perdem.

Amigo de verdade não acompanha os ponteiros do relógio e nem sempre o calendário, mas chega nos momentos mais pontuais, quando o que você precisa é justamente disso: uma parte tão sua, que anda por conta própria, solta por aí, mas aparece justamente quando você precisa estar inteiro. Amigo é parte, mas é tudo. Os meus são meus tesouros, mesmo quando chegam bêbados, calçando uma galocha vermelha ou sendo insuportavelmente arianos. Eu amo vocês.

Roberta Profice é colunista do We Love e escreve aqui às sextas.
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Jornalista, carioca, mãe do Du, dona da Martha, cervejeira, que divide seu coração entre a Má, a praia, a escrita e a cozinha. Nada necessariamente nessa ordem. Escreve todas as sextas.
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