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Maconha é legal(izada)

weed story maconha loja | foto: bruna guimarães

Era um domingo ensolarado, -1ºC em Seattle, no estado de Washington, EUA. Na companhia de uma amiga mexicana, saí para explorar a cidade e aproveitar o clima “bom”.

Nunca imaginei dizer isso sobre uma temperatura negativa, mas as coisas mudam. A gente aprende a se adaptar e a conviver com outras pessoas, em outros lugares e, nesse caminho, espera descobrir algo, de preferência sobre si mesmo. Ainda não descobri e não sei se quero. Mas tenho aprendido a (con)viver com outro idioma, estilo de vida, cultura e clima.

No meu primeiro dia em Seattle, minha host mom me levou para um passeio de carro para me mostrar alguns pontos. Por conta da chuva, ficamos rodando a cidade de carro. O primeiro lugar que ela me mostrou foi uma Weed Store.

– Essa é uma loja de weed. No estado de Washington, weed (vulgo Maconha) é legalizada. Você pode comprar e as pessoas te explicam como usar e a funcionalidade, além das opções – explicou.

– Uau! Parece legal, no Brasil não é legalizado ainda. Não sei se um dia será – contei.

– Ah, que pena! Fomos o primeiro estado americano a legalizar e a experiência tem sido ótima. A grande maioria das pessoas aprova.

“Podia ser assim no Brasil”, pensei.

Enquanto explorávamos Seattle, minha amiga mexicana e eu fomos a uma igreja (juro que fiquei acordada, mãe!), à Universidade de Washington e vimos as casas de fraternidades, os alunos estudando na biblioteca, prédios de outra época, imponentes e cheios de histórias e depois fomos para Capitol Hill – uma Rua Augusta de Seattle. Durante o caminho, passamos por uma rua residencial e vimos uma loja com uma placa ENORME com a ☘️.

– Uma loja de weed! – comentamos.

– O que acha de irmos olhar? – perguntei. Ela sorriu, estacionamos e fomos.

Pela porta não conseguimos ver nada dentro. Abrimos e entramos. Um carinha simpático nos recebeu.

– Olá meninas! Tudo bem? Posso ver as identidades?

Assim como bebida alcoólica, para comprar e/ou consumir maconha você precisa ter 21 ou mais – estou achando um máximo ter que mostrar minha identidade todas as vezes que entro em um bar, rs.

– O que vocês desejam?

– A gente não sabe. É a primeira vez que estamos numa loja de weed. Somos de países onde não é legalizada.

– Ah, okay. Eu vou explicar para vocês.

Fomos para o balcão e ele nos mostrou os menus de comida à base de weed: brownies, cookies, bolos, balas, petiscos. Depois o menu com a opção de bebidas: chás, energizantes, vodkas e afins. Explicou sobre fumar maconha: “Tem a opção para uma viagem, é um pouco mais forte, e opção para relaxar e para aliviar dores”. E sobre o tempo de efeito: “Ao ser consumida, leva em torno de 40 min, para fazer efeito. Ao fumar, o resultado é quase imediato, varia de pessoa para pessoa”.

– Você teria alguma coisa pra ajudar com cólicas menstruais? – perguntei, pois, às vezes, tenho e sou alérgica a todos os remédios.

– Sim, a melhor opção seria o cigarro para dores. Nós não temos aqui ainda a opção em cápsula, que também é útil. Para tratamentos de doenças, temos a opção em pomada ou creme. Não seria o caso, mas muitas pessoas usam para aliviar dores musculares.

– O que mudou depois que legalizou? – perguntei.

– Primeiro, as pessoas têm informações sobre os benefícios e podem consumir de forma segura desde o plantio até a compra. Gerou mais empregos, temos várias lojas na cidade, mas acho que o mais importante foi a questão de poder conhecer mais e acabar com o preconceito.

Agradecemos a paciência e a explicação e pagamos pelas nossas compras.

Ainda não experimentei, mas foi uma experiência sensacional. Não fiz nada de errado, obtive informações e há um certificado que garante a qualidade e legalidade do produto.

Maconha é uma erva, muito menos agressiva que o álcool e cigarro. Precisamos começar a discutir como a ilegalidade da maconha no Brasil é a chave para o domínio do narcotráfico. Outros países estão aí para provar em como o efeito é positivo.

Aproveito esse texto para avisar: mãe, comprei maconha!


Você também pode se interessar pela leitura de: Um rabino, um padre e um ateu fumam maconha (e falam sobre religião)

Bruna Guimarães

Bruna Guimarães

Jornalista & fashion lover. Made in Aracaju, living in São Paulo. Acredita que o amor é sempre destino e glitter, uma segunda pele. Louca por carnaval e mar e sorrisos e pessoas interessantes.
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