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Mana, nós não somos inimigas

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Quanto mais eu escuto mulheres desmerecendo o feminismo, mais eu vejo o quanto é importante ser feminista em uma sociedade em que as próprias mulheres se atacam e diminuem, por conta de uma cultura extremamente machista.

A mulher não foi treinada para liderar. Na configuração do que muitos gostam de chamar de “família tradicional”, é o pai quem dá a palavra final, é ele que, na maioria das vezes, é a principal fonte de renda: ou porque a mulher se dedica à educação dos filhos e aos cuidados da casa ou porque existe uma grande diferença salarial.

A mulher não foi criada para acreditar no seu potencial intelectual. Ela foi criada para ser a “princesinha do papai”, “a menina mais linda sala”, “a mais magra” e “a que mais se enquadra dentro dos padrões”. E esses pensamentos são difundidos socialmente e reproduzidos, mesmo que inconscientemente.

Como reflexo disso, as mulheres começam a ver umas as outras como inimigas/ameaças, sendo que os verdadeiros inimigos são outros: o machismo que mata, a sociedade que oprime, os padrões que excluem e a desigualdade salarial que nos dá um “preço” e nos faz “valer” menos que homens. E, enquanto nos atacamos, mais fracas ficamos diante das lutas que realmente importam.

Se, mesmo com toda desigualdade que ainda persiste, nós podemos trabalhar, nós podemos votar e somos livres, é porque várias mulheres lutaram para que isso acontecesse.

Mas, por mais que a gente tente dizer isso, muitos não vão escutar, porque o ódio que vem do lado de lá grita, esbraveja palavras de ordem em defesa de virtudes que eles mesmos desconhecem, o ódio que vem do lado de lá cega. O ódio que vem do lado de lá quer ser solução, mas o que eles não percebem, é que são apenas cordeiros elegendo o próprio leão.

A sociedade está doente e usa o próprio veneno, em doses cavalares, como se fosse um antídoto.

Darlene Braga

Darlene Braga

Jornalista, mineira e pisciana. Consegue sorrir e chorar ao mesmo tempo e não esconde os sentimentos de ninguém. Fala sozinha, assiste desenhos animados, escreve crônicas e gosta de gente que ri com os olhos.
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