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Minha mãe é uma Barbie. Minha melhor amiga é uma Barbie. Minha tia é uma Barbie. Minha sogra é uma Barbie. A afilhada do meu namorado é uma Barbie. Minhas amigas de trabalho são Barbie. Minha chefe é uma Barbie. Até aquela colega da faculdade/escola que não curto, é uma Barbie – talvez, numa versão falsificada.

Eu sou uma Barbie.

Seríamos todos Barbie?

Não consigo me lembrar do dia que ganhei a minha primeira Barbie. Nas minhas memórias, ela sempre esteve comigo. E eu tive muitas Barbies! Além de quarto, cozinha, sala de jantar, sala de estar, banheiro, loja. Não, não tive a casa…

Minha primeira Barbie foi única, diferente de todas as outras e esteve comigo desde que tenho consciência e lembranças da infância. A boneca era negra, cabelos ondulados escuros, olhos esverdeados e leves sardas nas bochechas. Nenhuma amiga teve igual.

Aos 11 anos, precisei mudar de cidade e minha mãe sugeriu que doássemos os brinquedos que eu não usava e eu ficasse apenas com os que eu mais gostava. A ideia dela era nos livrar de caixas desnecessárias e ajudar as outras crianças.

“O que acha de doarmos alguns desses brinquedos?” – ela perguntou.
“Acho que tudo bem” – lembro-me de responder.
“As Barbies também, ok? Você não precisa de tantas.”

Minha resposta foi um seco “NÃO!”. Até hoje, tenho problemas para desapegar de algumas coisas – ou pessoas. Mas, na medida em que íamos encaixotando, fui me convencendo de que não precisava mais de tantas bonecas. Aprendi ali que, às vezes, o pouco é o essencial e que exageros, muitas vezes, são caprichos desnecessários.

Doei todos os cômodos, alguns brinquedos e bonecas. Fiquei com duas Barbies: a negra e a loira, que cortei o cabelo em um corte Chanel para combinar com o meu de 8 anos.

As bonecas da Barbie me fizeram companhia antes de eu ganhar um irmão e após o nascimento dele. Participaram de todas as nossas brincadeiras. Houve vezes em que encontrei meu irmão com uma das minhas bonecas brincando de aventura e a Barbie era a parceira do boneco.

Hoje, vejo que as brincadeiras simples da infância me ajudaram a crescer. Principalmente a Barbie que, até hoje, está presente nas vidas das garotas, mostrando que não há limites no mundo da imaginação. Voltei a pensar nisso, aos 25, quando – indiretamente – voltei a conviver com a Barbie e seu universo pink.

Eu aprendi a ser organizada com a Barbie, porque, lá em casa, minha mãe tinha uma regra: “Após brincar, guarde todos os brinquedos no lugar. Não deixe nada jogado pelo chão do quarto”.

Com a Barbie, eu aprendi a reaproveitar roupas, a combinar peças para montar looks diferentes e a fazer penteados – leia-se tranças, rs – para mudar o visual. Aprendi que eu poderia tornar o mundo menos cinza e deixá-lo com um pouco mais de rosa ou verde ou amarelo ou azul. Aprendi que eu poderia fazer tudo isso de salto alto, se fosse necessário e, assim, eu desejasse.

Assim como a Barbie se tornou astronauta em 1985 e se aventurou como rock star no fim da década 70; ou ainda quando reuniu toda a turma para curtir as férias de janeiro em Malibu no fim dos anos 90, eu descobri que poderia fazer tudo. Desde largar o curso de engenharia química para fazer jornalismo, a sair de casa – de uma hora para outra – para me aventurar em outros lugares e em outras pessoas.

Hoje, acordo todos os dias imaginando que o mundo amanheceu pink e todas as pessoas voltaram a sonhar. Afinal, como numa brincadeira de criança, qualquer coisa é possível.

Bruna Guimarães

Jornalista & fashion lover. Made in Aracaju, living in São Paulo. Acredita que o amor é sempre destino e glitter, uma segunda pele. Louca por carnaval e mar e sorrisos e pessoas interessantes.
Bruna Guimarães

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