A música é gay

A música é gay | Pixabay

A música é gay. Começo o texto com essa frase para espantar os homofóbicos de plantão desde já. Se você não concorda com isso – ou pelo menos não quer nem saber como vou justificar essa frase – e já te subiu uma resposta “NADA A VER” na língua antes que eu pudesse molhar o bico, por favor, xiszinho vermelho ali em cima. Obrigada.

Vamos, antes de mais nada, voltar no tempo.

Quando a música era feita para animar rituais “pagãos” e bebedeiras sem fim na Babilônia. Na época em que o cristianismo ainda não tinha dominado o mundo com suas doutrinas sem fim como na panelinha de Regina George numa high school norte-americana (só que ao invés de proibir rosa nas quartas, você não pode beijar o coleguinha que quiser).

Sexualidade era compreendida como algo livre. Não havia quem dissesse o que era certo ou errado neste tópico. Quer você concorde ou não, isso é FATO. A música, assim como todas as vertentes da arte, nasceu nesse contexto: sexo não era regulamentado entre mulher e homem somente.

Daí, podemos dar um pulinho no tempo. Eu prefiro pular alguns anos e chegar o mais próximo possível do que vivemos hoje. Vou dividir esse post em categorias musicais:

1 – Black Music

Really? Quero dizer, não vou nem mencionar gênios como Little Richard para tentar exemplificar como é absurdo ser apreciador da música negra e não reconhecer o papel da comunidade homossexual em sua composição. Negros, latinos e homossexuais construíram música juntos. Hoje, do hip hop ao R&B, produtores, compositores, empresários e artistas absolutamente inovadores fazem parte da comunidade LGBTQ. Ah! O gospel da igreja Batista, tão admirado nos Estados Unidos, também tem mais mão deles do que você imagina. Lembra o que disse aquele pastor que viralizou ano passado? Não? Deixa eu te lembrar…

2 – Música Eletrônica

Esse tópico é o que eu mais me irrita. Antes que Aviccis e Guettas se tornassem “”””””referências””””””” do universo eletrônico, esse mundo ERA DOS GAYS. Por favor, se hoje você vai pra rave curtir baladinha feliz com seu pacote de doces para apreciar a genialidade da música eletrônica, agradeça a quem consumiu e produziu esse cenário antes mesmo que você nascesse. Nessa festa, o penetra é você. O show é deles. Sempre foi.

3 – Reggae e Rock

Nestas duas categorias, vamos conversar sobre a mensagem. Reggae music e Rock’n’roll surgiram como necessidade de expressão. Necessidade de libertação. Necessidade de comunicação. De justiça. De igualdade.

Acho que não preciso dizer mais nada, não é mesmo?

Se você não concorda com esses ideais, está ouvindo tudo errado. Pausa, volta e pensa melhor.

4 – Pop Music

Pula.

5 – Axé, funk, música brasileira em geral

Me recuso a falar sobre hipocrisia hétero neste texto. Pela minha sanidade, também pulo.

Bom, acho que deu pra dar uma contextualizada.

Só pra não esquecermos, uma análise antropológica básica: por fazerem parte, muitas vezes, de faixas etária maior de 21 anos que não possuem filhos e/ou que não se comprometem rapidamente, é comum que os gays sejam ávidos consumidores de shows/exibições/concertos e mostras de arte em geral. Ou seja, deduzo que eles se divirtam por mais tempo que você (hétero). Consequentemente, é natural que eles acabem entendendo um pouco mais sobre música.

Por fim, gostaria de dedicar este post a todos os gays (homens e mulheres) que tanto me ensinam todos os dias. A me valorizar mais, a me gostar mais, a curtir música da forma certa (muitas vezes de chinelo e não de salto). Em especial, para aqueles que fazem o cenário da música ser tão maravilhoso. São vocês que gritam “maravilhosa!” quando eu toco uma música boa no set. Vocês que não ligam pra sambada que eu dou na apresentação, desde que eu jogue bem e tenha jogo de cintura pra não ligar pra esses detalhes bobos.

Esse post é para o público da Pulse de Orlando. E para todas as Pulses do mundo. Nos atacaram no ambiente onde somos mais felizes, consumindo aquilo que mais fala por nós. Mas, como já diria o gênio GAY, Alvo Dumbledore, não sintamos pena dos mortos. Sintamos pena dos vivos. E acima de tudo daqueles que vivem sem amor (e sem música gay).

Peace!

Publicado originalmente em junho de 2016
Maluh Bastos

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
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