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Não sei você, mas sou um ser motivado por paixão. Sei que esse lance de ser intenso pode levar a muitos problemas, muitas lágrimas e lamentações, mas, às vezes, pode salvar de alguns problemas que futuramente poderiam ser bem piores.

Sabe quando as ideias não correspondem aos fatos? Sabe quando as palavras são muito bonitas, quando são repletas de poesia, mas as ações são insossas e completamente desconectadas de todas aquelas promessas de poesia?

Quando se está acostumado com altas temperaturas, é mais fácil sentir qualquer oscilação por menor que seja. Dizem que seres humanos são propensos a se acostumarem com qualquer condição nova que se instaure, mas vamos fazer um pacto com a verdade em nossa alma: não podemos nos acostumar com as metades, com o quase quente que dá para engolir.

Certa vez ofereci uma música do Aerosmith a um sujeito. “You’re my angel, come and save me tonight...” Mas, apesar de acreditar que eu estava perdidamente apaixonada, mais tarde refleti sobre o oferecimento dessa música — que nunca fez parte das minhas músicas favoritas. Estava no auto engano, sofri um pouco demais por algo que foi tão de menos a ponto de eu oferecer uma música que não faria qualquer falta no meu repertório.

Sim, estamos aptos a fantasiar, a imaginar e até quem sabe a materializar sensações que nem sequer existem, assim como as pessoas também podem vir a fazer o mesmo conosco.

O mais importante mesmo é procurar retirar todo o peso do figurino da alma, principalmente se tiver um jeito impulsivo do tipo Cazuza e procurar sentir as coisas como realmente são. É preciso também ter força para se conformar com a realidade e, claro, não aceitá-la, se confronta a tua essência.

Não dá para conviver com temperaturas amenas quando a alma está acostumada a fervilhar em sonhos e o peito acostumado a se contrair em suspiros. Se não for para ser tudo, que não seja. Se não for para ser fervendo, que não seja. Se não for para ser total, que não seja. Ninguém guarda na alma lembranças eternas do que foi um pedacinho, uma metade ordinária ou uma geleira.

Daiana Barasa

Jornalista, apaixonada por palavras, café, planetas e extraterrestres. Ela gosta de Fernando Sabino e de Stephen King e não, não é nada coerente.
Daiana Barasa

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One Reply to “Não vamos nos contentar com temperaturas amenas”

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