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A primeira vez que te vi, era noite e chovia muito. Você usava aquela jaqueta preta com capuz que desviava a minha atenção. Mesmo depois de todo esse tempo, não entendo o porquê. Mas foi ali, no exato momento, que você abriu a porta do carro e veio correndo ao meu encontro, sorrindo com a chuva que insistia em cair sobre nós. Eu te olhei nos olhos e me perdi. Me perdi naquele azul profundo, escuro, forte que brilhava no meio da noite.

Você já se perdeu assim? Nunca havia me acontecido. Já me perdi de outras formas – mais literais. Com você, foi poético. Percebo agora, porque foi a primeira vez.

Na segunda vez que te vi, não chovia, mas fazia frio. A lareira nos aquecia durante a noite, envoltos em mantas enormes. Talvez pelo vinho, mas seus olhos continuavam a me impressionar: o azul refletia as chamas e me hipnotizava. Confesso que não prestei muita atenção ao que você falava. Mas memorizei o reflexo do fogo no azul do seus olhos e guardei dentro de mim.

Na terceira vez que te vi, era dia e fazia sol. A varanda do seu quarto estava aberta e enquanto estávamos deitados, seus olhos azuis me impressionaram. Mais uma vez. Continuavam azuis, mas não era tão escuro. Era o azul do céu da manhã num dia verão. Era o reflexo do céu no mar ao amanhecer. Naquele momento, seus olhos sorriram pra mim e, se pudéssemos enxergar a paz, ela teria sido vista nos seus olhos, naquela manhã. Você me perguntou em que eu estava pensando.

Sorrindo, te respondi apenas: “Seus olhos são tão azuis”. E você riu enquanto abraçava.

Eu percebi que me perdi nos seus olhos quando, meio sem querer, esses olhos me encontraram. E o que você via em mim, eu também vi. Pelo filtro azul que existe em você, comecei a enxergar melhor. Não só o mundo, mas a mim mesma.

“A minha lista das coisas boas em azul tem mais um item: seus olhos <3, céu, mar, piscina e algodão-doce (não necessariamente nessa ordem)”, era isso que eu deveria ter te dito. Mas a gente sempre teima em guardar certas coisas.

Na última vez que te vi, eu me encontrei no brilho do azul dos seus olhos. Porque dentro deles, eu vi o universo. Com direito a estrelas, planetas, cometas e a própria Via Láctea. Se os olhos são a janela da alma, você me viu de dentro pra fora e ficou, e nos seus olhos azuis, repetitivamente, eu me deixei perder e encontrar. Em paz.

A mother's arms are made of tenderness, and children sleep soundly in them.

Bruna Guimarães

Jornalista & fashion lover. Made in Aracaju, living in São Paulo. Acredita que o amor é sempre destino e glitter, uma segunda pele. Louca por carnaval e mar e sorrisos e pessoas interessantes.
Bruna Guimarães

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