O amor também é feito de quase – We Love

O amor também é feito de quase

O amor também é feito de quase

Você deve se lembrar também, uma noite, no meio de um monte de outras pessoas – todas importantes – mas nenhuma que realmente importasse naquela hora, né? A gente se olhava, se conversava, se esforçava pra conseguir qualquer assunto que pudesse nos conectar mesmo que só por alguns segundos. Eu não sei você, mas eu amo essa coisa de começar a se interessar por alguém, o pré-flerte, sabe?! Sabe aquela sensação de quando você encontra alguém e essa pessoa também te encontra? O sangue dos dois começa a esquentar e, cada vez que respiram, parece um tornado dentro do seu peito. Aquela noite eu encontrei você, e que furacão você criou em mim. As horas foram passando, a multidão no bar diminuindo e a gente cada vez mais perto. Nesses momentos, parece que uma força da natureza faz os corpos se aproximarem. A estática que eu sentia quase me fazia enxergar as faíscas entre nós. Aquela noite acabou; fomos embora, cada um para o seu lado. Aquela despedida meio demorada, com gostinho de “fica um pouco mais”.

Alguns dias depois saímos de novo, dessa vez só você e eu. Nos divertimos bastante. Rimos, contamos histórias, inventamos outras, cada coisa que a gente fala pra impressionar alguém, não é?! Não sei se você sabe, mas eu lembro de cada detalhe daquele dia. Do jeito que você colocava o cabelo para trás da orelha, de como olhava para o celular de tempos em tempos e tentava disfarçar, de como ficou nervosa quando um amigo seu apareceu e cumprimentou a gente. Não me entenda mal, sei que não foi um encontro; éramos só dois amigos curtindo uma mesa de bar juntos. Mas será que foi só isso mesmo?

Anos se passaram desde aqueles dias. Nossas vidas se desenharam com linhas bem distintas. Perdemos e retomamos o contato algumas vezes nesse percurso e, como eu sei que te conheço, deve estar se perguntando porque estou aqui escrevendo para você.

Bom, é que hoje eu passei na frente daquele bar – o mesmo que nos conhecemos e saímos depois. As paredes estão pintadas. Na nossa época, eram só tijolos, mas a mesa de sinuca caída para esquerda continua lá. Passei por lá e vi um grupo de jovens, deviam estar saindo da mesma faculdade que a gente frequentou. E naquele emaranhado de gente tinha um menino, meio atrapalhado, magrelo com cara de nerd e uma garota meio hippie com cabelos longos e um vestido rodado. Eles se olhavam, se falavam e riam nervosamente.

E vendo aquilo, de repente, me deu uma vontade de torcer para que eles dessem certo. Quis ver neles o casal que a gente nunca foi. Que eles curtissem as baladas que não curtimos juntos, que passassem tardes de domingo a toa em casa com o gato dela, do mesmo jeito que a gente não passou. Que talvez até terminassem e se odiassem por um tempo, mas depois voltassem a ser amigos por entender que sentimentos ruins são efêmeros e as boas memórias são o que realmente valem, do jeito que eu e você não aprendemos juntos.

Olhei aqueles meninos ali e quis que eles fossem o que nós dois não tivemos coragem de ser. Mas, mesmo que não tenhamos sido “nós”, isso não quer dizer que você não tenha sido algo para mim. Nós não acontecemos e sei que nunca vamos acontecer, mas de todos os casos que eu não vivi, você foi, de longe, o meu melhor “quase”.

Henrique Arana

Tem 27 anos, de São Paulo, mas pode chamá-lo de Rico.
Estudou publicidade e jornalismo, hoje trabalha em agência de propaganda em Curitiba.
Seu sonho é parar de escrever sobre produtos quaisquer e poder escrever de sentimentos, dele e de outros.

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