O dia em que sucumbimos às listas • We Love

O dia em que sucumbimos às listas

homem de braços cruzados e gravata borboleta
gif agente smith matrix

Agente Smith – Matrix

Eu jurei que não sucumbiríamos às listas. Mas eu ouvi uma conversa no banheiro do restaurante e a ideia entrou na minha cabeça e não saiu mais. Isso acontece direto. Com conversas de banheiro e de restaurante, e, às vezes, de banheiros de restaurante. Se o Matrix existisse, esses papos seriam que nem a loira. De propósito, para fazer você virar e o Smith te matar.

Pois eu sucumbi ao Smith e resolvi fazer a lista das 10 coisas que você pode fazer com o Instagram. As meninas no banheiro não eram loiras e não estavam de vermelho, mas o papo era tão insano que eu não resisti.

Aqui vai:

  1. Achar inspiração para montar um look com roupas que você já tem. O que eu mais vejo no Instagram são as fashionistas – e muitas são wannabe – dando “dicas de looks do verão” ou algo do tipo e apresentando peças de roupa que qualquer um tem no armário como se fôsse a descoberta do átomo. Siga algumas que sejam menos irritantes e, quando estiver sem imaginação, entre no timeline delas e note que você tem a calça preta, a camisa branca, o sapato de amarrar e uma tote qualquer. Te faltam o lenço de bolinha e os cojones para usar batom vermelho? Sem problemas, pegue qualquer lenço colorido e compre um desses óculos de camelô de 10 reais. Quer ousar muito? Compre um pacote de Tattly e coloque uma no antebraço. Você vai arrasar. Eu garanto. Só não tire uma selfie porque vai ficar chato.
  2. Aprender a fazer saladas incríveis. Sim, a Renata insiste no Pinterest, mas eu acho o Instagram mais fácil. A pessoa faz a salada, tira uma foto linda, põe um filtro maravilhoso e a gente fica achando que comer salada pode dar o mesmo prazer de um cheeseburger. Se o IGer* for bom, a descrição do prato é tão bem feita que dá até fome.
  3. Se apaixonar pela escrita a mão. Eu sou daquelas que desenha casinha que nem você desenhava no pré-primário mas, depois do Instagram, comprei um estojo de canetas pretas maravilhosas e comecei a escrever tentando caprichar mais. Tá cheio de artistas incríveis postando suas criações e muitos mostram suas habilidades com frases e palavras de efeito; ou seja, cumpre três funções: você fica mais consciente de seus garranchos, relembra que fontes custam porque dá um trabalho da porra criá-las e ainda pode fazer um repost de alguma coisa para aquele amigo que andou meio down.
  4. Entender a diferença entre vaidade e chatice. Vaidosos postam selfies. Chatos postam selfies com subtítulos do tipo “tarde incrível com (name-dropping e tagging do amigo famoso) em (lugar exclusivo e maravilhoso)” e seguem com vários emoticons irritantes.
  5. Montar o roteiro de sua próxima visita a quase qualquer capital do mundo totalmente baseado em ver arte de rua. Fica aqui meu agradecimento aos IGers que dividem com a gente as paredes e muros lindos que eles vêem por aí em suas andanças.
  6. Decidir a raça de seu novo cão. Ou pelo menos chegar a um shortlist. Se o YouTube é a terra dos gatos, o Instagram é a melhor e mais divertida vitrine dos cães. Desde acompanhar o crescimento de um Shar Pei, até descobrir a amizade entre um Weimaraner e um Salsicha ou, tecnicamente falando, um Daschund; até ver o que acontece quando uma pessoa resolve mostrar para uma matriz de labradores que ela é mais do que isso: o Instagram tem de tudo. Não, eu ainda não decidi a raça do meu.
  7. Já que estamos falando em animais: aprender que há outros animais no mar que não apenas tubarões, tartarugas e baleias. Não faz muito tempo eu descobri que há mais dinheiro investido na exploração espacial do que no estudo do universo submarino. Fica uma ideia: usar o Instagram como plataforma de crowdfunding pra gente aprender mais sobre ¾ de nosso planeta.
  8. Descobrir bandas novas. Ainda tem gente que não sabe, mas o Instagram tem um time “editorial” e, além de fazer seus WHP e apresentar IGers bacanas para o mundo, eles fazem uma curadoria interessante de músicos que usam a plataforma para divulgar seu trabalho. Claro, tem outros perfis bacanas que não o próprio @music que apresentam música e músicos no Instagram. Faça uma busca por music ou música. De nada.
  9. Tirar dúvidas de quão bestas seus ídolos podem ser. E decidir se ele ainda será ídolo. Você gosta do cara. Acha que ele tem ginga, joga bem, é simpático, parece ser boa pessoa. Aí ele faz uma bobagem em campo e 24 horas depois tá lá a mesma foto boba no Instagram dele. Para 30 milhões de pessoas verem. Dá unfollow. Continua achando ele boa gente e bom atleta, mas não vale o espaço na tua timeline.
  10. Entender minhas razões para querer ir pra Marte. E, se não servir pra isso, pelo menos vai te lembrar que você é apenas um grão. Num universo maravilhoso. Mas é um grão. Então, guarde o pau de selfie e poste mais uma foto do seu Chihuahua. Os seguidores agradecem.

*IGer – instagrammer ou, aquele que tira fotos e posta no Instagram; para eu não que ficar dizendo “o cara” ou “a moça”.

Fefa

Fefa

Administradora, wannabe escritora. Tenho alergia a quem usa muito jargão, acha que design thinking é novidade e não respeita o tempo dos outros. Se eu pudesse viajar no tempo e conhecer uma pessoa, essa seria a Rainha Elizabeth I.
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