O fim do Inverno – We Love

O fim do Inverno

Este texto é a continuação do conto “A Nevasca dos Teus Olhos”, publicado originalmente no We Love em outubro de 2016.


Eu mudei de cidade. Peguei minhas coisas, juntei as tralhas, o resto dos panos e coloquei o meu pé na estrada. Logo nos primeiros quilômetros achei que fosse desistir, mas tinha algo no caminho que me fez continuar e, pelo bem da caminhada, prossegui. Devo admitir que o começo foi mais difícil que eu pensava, porque meus pés estavam em botas de combate, mas ainda tinham formato de pés de madame, mas depois que se pega o jeito, a caminhada fica mais fácil e simples.

Logo no início, quis prosseguir sozinha, como uma loba solitária, em meio ao inverno que ia embora e que trazia consigo a primavera. Vi florescer tantas flores coloridas e, aos poucos, o verde cobriu o branco, e o ar mais quente fez os lagos voltarem ao normal. Aos poucos, as borboletas preencheram o caminho, e os pássaros passaram a cantar, todos os dias de manhã, para me acordar.

Por alguns dias, eu até pensei em voltar para o Inverno, ou para algo mais frio, mas ainda assim, algo me prendia na Primavera, algo que eu não sabia explicar. Tinha algo mágico em ver o verde salpicando conforme eu passava os olhos na vegetação. Eu passava os dedos nas cercas, fechava os olhos e imaginava que estava no melhor lugar do mundo – e eu realmente estava, porque minha alma estava repousando apesar de continuar andando com meus pés físicos.

A cada dia que passava, eu ficava mais próxima da Primavera, e ficamos tão amigas… Mas ela me disse, em um sussurro por meio do vento, que deveria deixar as coisas serem levadas pelo vento, que algo viria, que algo melhor estava reservado para mim. Como uma boa amiga, acreditei nela, e quando menos esperava, lá estava ele; reluzindo com vergonha, brilhando meio acanhado: o Verão.

Fiquei tão deslumbrada… Lembro-me de tocar sua pele e senti-la tão quente sob minha, e seus cabelos enrolados, que encaixavam perfeitamente nos nós dos meus dedos, e ah, a voz! Que voz!

Nossas mãos tinham um encaixe perfeito, e antes mesmo de tocar nossos lábios, eu sabia: aquele beijo tinha sido feito para mim.

Aquele abraço, e seu encaixe perfeito;

Aquelas palavras;

Aquele homem…

Deixei com que ele me guiasse pelo resto da estrada, e com medo de que ele soltasse minha mão, amarrei um fio vermelho na ponta de seu dedo, e outro na ponta do meu. Com medo de perder seu calor, pedi para que ele ficasse para sempre, ele só sorriu e disse:

“Meu amor, na estrada da vida, todo dia é verão e primavera”.

Gabriela Reis

Gabriela Reis

Gabriela Reis tem 20 anos de idade, cursa jornalismo e é apaixonada pela escrita desde novinha. Autora do blog disenchanted, costuma misturar poesias, contos e desabafos emocionais sobre sua vida cotidiana. Acredita que a jornada da vida seja mais bonita se for acompanhada, e crê sempre no lado bom das pessoas, mesmo que isso custe sua paz de espírito.
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