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O ouro branco da floresta e seus mistérios

O ouro branco da floresta e seus mistérios | Créditos: Pixabay

Há 116 anos, nações em conflito adentravam a selva em busca de um território sagrado, chamado Aquiri, que no dialeto dos indígenas Ipurinã, significa rio dos jacarés.
Em meio à vegetação espessa, a camuflagem militar escondia bem mais que os soldados e seus medos, fazendo da floresta um solo temido e respeitado.

Na pele, o calor intenso, no chão, a fertilidade; de espécies mais comuns às jamais vistas. No céu, apenas as copas das árvores que tudo observavam há milênios sob os sons da natureza.

Durante 4 anos, homens buscaram para si um território estratégico, no coração da Amazônia. E, entre nações decididas perdurar com hegemonia, as copaíbas, andirobas e urucuns mantinham a harmonia da vida selvagem.

A milhas de sua terra natal, o espanhol Luiz Gálvez comandou a expedição que bravamente expulsaria, pela primeira vez, o exército boliviano que ocupava a região e a transformaria em um Estado Independente. Iniciava-se, assim, uma Revolução.

Vindos do longínquo agreste, homens e mulheres buscavam um novo lar em uma terra prometida de belezas, encantos e subsistência.
Nas mãos, facas e canecas, na cabeça a poronga; lanterna artesanal que levava luz à madrugada sombria, enquanto as onças ainda rondavam a mata em busca de alimento.

Em meio à revolução, o ciclo da borracha se desenvolvia e marcava pra sempre as árvores e a economia.
Porém, mesmo com a tomada, o Brasil ainda o reconhecia como território boliviano e enviou uma tropa para dissolver a ocupação, entrando novamente em conflito com a federação vizinha.
A peleia marcou a história e fez sangrar a floresta por longos meses.

Contudo, ela não ficaria indefesa e sua força surgiu de quem a amava e tirava de se si seus motivos, sentimentos e sustento.
Seringueiros combateram as invasões bolivianas e, mais uma vez, o Brasil enviou uma expedição de defesa que a declararia como República independente, em 1900.

Os bolivianos seguiram com o avanço militar fazendo com que a segunda República fosse dissolvida a apenas um mês de sua declaração.

Localizado entre o Brasil, a Bolívia e o Peru, e sendo a maior intercessão entre povos indígenas e de brancos seringueiros, as terras foram finalmente tomadas por José Plácido de Castro e em 1903 e assim declarada a República do Acre.

Em 17 de novembro foi assinado o Tratado de Petrópolis, que selaria a paz entre os povos e o fim dos confrontos. A importância da região era tão grande, que o governo brasileiro cedeu em troca do novo estado, uma parte da região do Mato Grosso e um dote de dois milhões de libras esterlinas.
No ano de 1904, o Tratado de Petrópolis foi regulamentado por lei federal e o Acre passou a fazer parte oficialmente do território brasileiro, mas somente em 1962 foi considerado Estado brasileiro.

Há quem diga que o Acre não existe, talvez a afirmação fosse verdade se os seringueiros da floresta não defendessem com suas próprias vidas o coração da Amazônia.

Flavia Francis

Flavia Francis

Publicitária, taurina, pescadora com ascendente em escorpião. Quando some, tá na praia, com seus anzóis ao mar curtindo a brisa e a solidão. Tem uma queda por descobertas e um desabamento por rimas e emoção.
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