O prazer da casualidade • We Love

O prazer da casualidade

Casualidade

Se alguém me falasse que um dia eu faria isso eu daria uma boa gargalhada e responderia: Tá louca? Estamos bem! Isso não vai acontecer. Pois é, não estamos bem. Não mais. Na verdade, nem estamos juntos.

Hoje será a primeira vez que eu vou fazer isso com um cara diferente. A insegurança rodeia meu corpo. Estou tentando me convencer que eu sou linda e gostosa e como um mantra fico repetindo: linda e gostosa, linda e gostosa…

Enquanto ainda estamos de roupa, funciona super bem. Deixo a língua dele desvendar a minha boca, deixo suas mãos percorrerem pelo meu corpo e isso me causa arrepios. Faço o mesmo e estamos numa ótima sintonia. Ele nota meu nervosismo e isso o deixa mais excitado, sussurra em meu ouvido:

— Você é linda!

Eu tento acreditar e me concentro no tom da sua voz me dizendo qualquer coisa que já não assimilo. Suas mãos, tão habilidosas, continuam passeando pelo meu corpo. Tento me desligar das neuras e aproveitar aquele momento. As roupas começaram a atrapalhar e elas passam a formar um caminho da sala até o quarto.

Descobrimos, talvez um pouco apressados, o corpo do outro. Fazemos nossos jogos de sedução e nossos corpos se unem. Atingimos nosso ápice e estremecemos, cada um caindo de um lado da cama.

A vergonha e a insegurança voltam a me atingir. Me cubro com o lençol e ele sorri.

— Você é linda demais!

Tiro o cabelo do rosto e sorrio de volta. Ele levanta e, enquanto joga o preservativo, eu me visto. Me viro e ele está encostado no batente, nu, me observando com olhos de desejo. Me sinto bem e convencida que sou linda e gostosa.

Ele pede para eu passar a noite com ele. Não há ninguém me esperando em casa. Não mais. Aceito o pedido. Jogamos conversa fora não escondendo que a atração continua. Fazemos joguinhos. Mordo os lábios e ele se aproxima beijando meu ombro, meu pescoço e minha nuca. Nos agarramos de novo e dessa vez as preliminares duram mais.

Um pouco antes das cinco da manhã, eu me visto novamente. E antes de deixar o apartamento dele deixo um recado:

O sexo foi ótimo.

Saio com um sorriso e com a alma leve. Não há o vazio de que fui usada, de que foi só uma noite. Há a certeza de que aproveitei tanto quanto ele e que essa era segunda vez que fazia sexo pela primeira vez.

Entro no meu carro pensando em como seria uma terceira vez…

Natalia Moreno

Natalia Moreno

Natalia Moreno é apaixonada por literatura, animais, músicas... Formada em Letras, pós graduada em Literatura Inglesa é autora dos romances Quando eu me amar e Marcas da Vida. Tem o defeito de querer colocar tudo em ordem, desde um quadro torto até o mundo e se desespera por este último estar fora do seu alcance.
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Comments

  1. a casualidade traz muita coisa boa, mas, acredito eu, que a melhor de todas ainda seja a possibilidade de desvendar um monte de gente nova sem precisar de muito café e papo furado. adoro a sensação de ter aquelas poucas horas pra descobrir tudo. delícia de texto :)

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