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Ele foi embora sem muita explicação, apenas gritou um tanto, bateu a porta com toda sua força, e pronto… Passaram-se dois anos e eu nunca mais o vi. Eu já não era a mesma e ele, decerto, havia mudado. Mas, por pura coincidência ou ironia do destino, esbarrei com ele esses dias.

Ele estava mais bonito e sorridente, parecia que algo havia crescido além da barba. Tentei fingir que não sabia quem era, mas a verdade é que talvez nunca o conheci. Não demoraram cinco minutos para que ele viesse em minha direção.

Ter um encontro com o passado é totalmente ridículo, me sufocava e parecia ser uma roupa que não me servia mais. Ele perguntou sobre minha família e o rumo que tinha tomado na vida, disse que havia se formado e que agora se arrependia de muita coisa do passado.

Eu nada disse, e então ele insistiu… Falou um “eu te amo” e eu só pude responder com um “tudo bem”. Era o que tinha pro momento e o que ele merecia ouvir. Meu coração pulsava mais forte que o normal e algumas palavras estavam entaladas em minha garganta. Tentou me convencer de que podíamos tentar novamente, que ele já não era o mesmo e que, dessa vez, faria durar. Mais uma vez, silenciei e pude ver ele chorar.

Agora ele conhecia aquilo que eu dizia tanto doer e que tinha gosto de sal. E apesar daquela cena ter doído horrores em mim, meu bem, eu não hesitei em dizer que “chorar de nada adiantaria”. Foi o que ele havia me dito quando o mundo estava caindo sobre mim. E, então, antes de sair desejei que ele fosse feliz, mas muito feliz mesmo. E parecia que a vida pesava menos e que agora fazia sentido.

Eu me sentia livre, porque, embora o amasse, eu já não podia pertencer a ele. Você talvez me ache patética e burra por ter deixado ele para trás, mas, um dia, você irá me entender e me agradecer por essas coisas que não fiz. E, pela primeira vez, eu consegui pertencer a algo que valesse a pena. Algo maior que o que você vê por aí. Hoje pertenço a mim mesma. Porque, na maioria das vezes, o que a gente mais precisa está escondido dentro da gente. Por amor, eu já fiquei; mas, por me amar, eu precisei ir e deixá-lo no passado.

Daniele Vaz

Escrevo para tirar sentimentos que muitas vezes “não coloca pra fora”. Me conheço mais e mais a cada texto, frase ou poesia. Me inspiro, principalmente, em Charles Bukowski, reconheço-o como meu “ponta pé” para iniciar a vida artística.
Daniele Vaz

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