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Recentemente comecei a assistir à série Gênios, produzida e transmitida pela National Geographic, que retrata a vida e obra de algumas das mentes mais inteligentes e desbravadoras que tivemos na humanidade. A primeira temporada é focada em Einstein.

Fiquei surpreso com uma fala que se passa durante uma discussão entre ele e seu pai sobre sua carreira. A argumentação gira em torno da obrigatoriedade de se ingressar em uma escola politécnica para estudar física e matemática, especificamente, porque assim se ganhava mais prestígio e notoriedade na sociedade. Sim, estudando física e matemática.

Einstein é aprovado em sua segunda tentativa de ingressar na faculdade e segue sendo a mente que todos conhecemos, mas isso me fez pensar na atual “polêmica” sobre a forma da terra. Basta uma pesquisa no YouTube para ver que alguns vídeos têm pregado que a terra é plana e, de verdade, não vou conseguir trazer os argumentos para isso.

Vivemos em um momento de desconfiança no mundo. Talvez esse fenômeno possa ser ligado à descrença nas autoridades, religiosas ou políticas que, de alguma forma atingem a ciência. Isso porque o assunto não faz mais parte do cotidiano das pessoas e não é mais sinônimo de prestígio, ficando restrita a órgãos governamentais.

No Brasil, o crescimento do acesso à educação (especialmente superior) trouxe o contato direto com cadeiras argumentativas como direito, publicidade, jornalismo e profissões mais “práticas” ligadas ao crescimento econômico imediato das famílias. Mas pouco se fez com relação a educação de base diminuindo a busca por profissões acadêmicas e de pesquisa.

O acesso a informação e à Academia somados à lacuna na educação de base, às crises e aumento da desconfiança – gerada muitas vezes por lideranças religiosas mais “fervorosas” -, deixou o caminho livre para argumentações 100% não-empíricas, baseadas em argumentações superficiais e “acientíficas”.

O perigo reside em um futuro idiocrático (de idiota mesmo), no qual falácias, argumentos religiosos, midiáticos e políticos sejam mais fortes que o pensamento científico. Tão louco quanto seria a gravidade de uma terra plana:

David Moratório

Redator e analista de conteúdo, amante de livros, domingos em casa e series bobas. Filósofo de hamburgueria que acredita que a única salvação é o amor.
David Moratório

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