Quais bairros você deveria conhecer em Nova Iorque, por uma moradora • We Love

Quais bairros você deveria conhecer em Nova Iorque, por uma moradora

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Tem uma pergunta que eu me faço de tempos em tempos: qual o meu bairro favorito de NY?

Esses dias, eu estava indo encontrar um amigo, quando outro me pediu no WhatsApp uma dica de restaurante – ele havia chegado para uma temporada na cidade e queria sair com uma turma. Não tive dúvida, estacionei para dentro da calçada – como qualquer pedestre civilizado em uma cidade de pedestres – e rapidamente mandei uma lista dos meus favoritos. Acho que disparei mais de dez opções. Japonês, italiano, hamburger, espanhol, francês. Ainda que eu tenha favoritos em outras regiões da cidade, o fato é que todos estavam, no máximo, a meia hora a pé da minha casa. Minto, o Minetta deve estar a uns 40 minutos. Ainda assim, a não ser que esteja nevando (ou que eu esteja com muita preguiça), eu sempre vou a pé.

Se minha loja não for na Internet, minhas compras são todas feitas na mesma geografia. Me pergunte e eu sempre vou dizer que o melhor brownie da cidade é o da Fat Witch, as frutas mais gostosas são do Chelsea Market e a vista mais bonita é caminhar para o sul pelo Hudson River Park.

Você diria que meu bairro favorito é o Chelsea.

Se eu acordar inspirada – e não for verão, porque nessa época a quantidade de turistas intimida – eu me aventuro e desço até o começo – ou o fim, nunca vou saber – da Bleecker e caminho até o Soho. Dá uma hora, quase, andando devagar e observando as pessoas e procurando novidades pelo caminho.

Sempre tenho uma crise de indecisão: paro para comer no Murray’s na ida ou na volta? Será que consigo uma mesa no Balthazar? Será que eu mato a saudade dos noodles do Kelley & Ping? Quando eu trabalhava no Soho, comia lá praticamente todos os dias. Afinal, pra que pensar no que comer no almoço? Não me basta pensar em todo o resto. Caminho mais um pouco. Cruzo a Broadway e… entro na McNally Jackson? Não tem jeito, toda vez que eu entro, volto pra casa com cinco livros novos. E a pilha só aumenta.

Eu sempre questiono a necessidade de um ser humano de ir ao Soho – a não ser pelo pão do Balthazar – mas nunca me arrependo quando vou.

Você diria que é o Soho.

Upper West? Adoro. Mas só vou se tiver um destino claro: museu ou Good Enough to Eat e, desde que eles tiraram o hole in the bread do cardápio, não tenho me animado.

Upper East? Adoro. Mas também tem que ter destino. Museu ou uma aventura pela Madison Avenue. Acredite: de vez em quando, é educacional.

Sim, eu sou uma Downtown Girl.

Eu sei que todo mundo ama o Brooklyn. Acho Williamsburg uma graça e Dumbo bem legal, mas tenho uma preguiça enorme de ir até lá e, entre o L no final de semana e a Good Wife ou a Madam Secretary no meu sofá… Bom, não preciso nem dizer, né? Aliás, tô adorando a Tea Leoni. Acho ela muito mais simpática que a Hillary. Eu sei. A Hillary é de verdade. Bem que ela podia aprender com a da TV.

Meu problema com o Brooklyn, além do L, é que todos os meninos têm barba, todas as meninas se vestem em camadas e tem, pelo menos uma peça de brechó e, se não forem dessa categoria, são da categoria casal-jovem-com-um-ponto-três-filhos, toca discos de vinil e obras de arte de artistas que eu não conheço pela casa toda.

Não, eu não sou hipster.

Uma exceção: se o programa for bar hopping e comprar livros, o Brooklyn ganha muitas estrelinhas. Eu até me visto em camadas para combinar.

Não posso dizer que conheço o Harlem. Já fui à missa gospel mais de uma vez. Mas – e eles têm razão – se muita gente tenta ir, a preferência é da comunidade local e eu já fiquei pra fora mais de uma vez. Acontece que domingo, pra mim, é dia de dormir até tarde, comer ovo, torrada com manteiga e, se possível, panquecas; portanto, acordar às seis e meia da matina pra ficar na rua, não ranqueia entre meus programas prediletos.

Não faz muito tempo, fui ver um amigo tocar jazz num antigo clube militar por lá. Comemos num restaurante etíope e depois fomos pro tal lugar. Só faltava ver gente fumando lá dentro. Porque, se alguém me dissesse que aquilo não era de verdade e eu estava num set de filmagem de um diretor de cinema alemão nos anos 80 em NY, eu juro que ia acreditar.

Assim como não conheço o Harlem, não conheço o Bronx. Lá, apenas o Zoo. E, no Queens, a sede da Miami Ad School. Tô pensando em voltar, vi várias coisas bacanas no dia em que fui até lá e descobri onde vende pão de queijo congelado. Forno de Minas. Isso mesmo.

Harlem, Queens e Bronx: não posso opinar.

Teve uma época em que eu fazia um projeto com uma empresa que ficava em Astor Place. Adorava ir pra lá. Enquanto era primavera, eu ia a pé ou de bicicleta. Quando esquentou, pegava o metrô mesmo. Aquele pedaço da cidade é domínio dos estudantes e tem cafés super gostosos, pessoas com cabelos coloridos e foi por ali que eu comi torrada com abacate pela primeira vez. Não sei quem pensou em colocar abacate na torrada, mas manda um beijo pra ela ou ele por mim.

Outra coisa que eu descobri em Astor Place, foi um restaurante coreano num prédio alemão. Um amigo jornalista que me levou. Só jornalistas pra saberem dessas coisas. Eu nunca teria entrado se não fosse por ele. E já entrei mais umas duas vezes depois disso. O diabo é que você sai de lá cheirando a carne na chapa. Só com amigos e só se o programa emendar no cinema ou você for voltar, a pé, pra casa.

Poucas coisas são mais NY do que descer a pé – de preferência pelo rio – até Tribeca. Tem restaurantes incríveis, ruas de paralelepípedos, prédios antigos misturados a novos e pessoas lindas andando nas ruas. É o bairro com mais pessoas lindas por metro quadrado da cidade. E é onde fica o Bubby’s original. Panquecas. Com mel.

Mais uns quarteirões e você chega a Wall Street e Battery Park. Pessoalmente, eu não gosto do Financial District, mas, é sempre emocionante andar por ali. Creio que é o lugar da cidade que mais me diz: sua sortuda, você mora em NY. Respeito. Até porque, a primeira vez na J&R, ninguém esquece. Acho que, para mim, foi a mesma sensação do Charlie na Fábrica de Chocolates. E – isso, me chame de cafona – é dali perto que sai o ferry pra Liberty Island. Nada como a grande dama pra te lembrar onde você está.

Tem tantos lugares incríveis nessa cidade. Eu nem fiz o meu parágrafo sobre as casinhas lindas do West Village, com escadas na frente, janelas enormes e uma ao lado da outra ao longo de ruas arborizadas. Não falei da quantidade de vezes em que eu andei de um lado pro outro na Greenwich Ave tentando decidir entre almôndegas, tapas, tacos e hamburger. Não falei dos bares de hotéis. (Acho que vou fazer um texto somente sobre isso).

O fato é que eu não tenho um bairro favorito. Hoje, se eu tivesse que escolher, seria o Chelsea. Amanhã, quem sabe?

Fefa

Fefa

Administradora, wannabe escritora. Tenho alergia a quem usa muito jargão, acha que design thinking é novidade e não respeita o tempo dos outros. Se eu pudesse viajar no tempo e conhecer uma pessoa, essa seria a Rainha Elizabeth I.
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