7 beijos literários que nos fizeram suspirar • We Love

7 beijos literários que nos fizeram suspirar

Os beijos literários que nos fazem suspirar!

Semana passada escrevi sobre os quase-beijos, hoje eu escolhi os beijos literários que eu tanto esperava nas histórias. Eles estão sem ordem de mais ou menos esperados. Vamos lá:

  1. Liessel e Rudy Steiner – A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak)

O livro tem uma temática bem forte, triste, chocante e um beijo não é o que se espera e nem o final que desejamos, mas, quando ele acontece, a gente pega o lencinho e se deixa levar pela dor, pela emoção…

“Inclinou-se, olhou para o rosto sem vida, e então beijou a boca do seu melhor amigo, Rudy Steiner, com suavidade e verdade. Ele tinha um gosto poeirento e adocicado. Um gosto de arrependimento à sombra do arvoredo e na penumbra de coleção de ternos do anarquista. Liesel beijou-o demoradamente, suavemente, e, quando se afastou, tocou-lhe a boca com os dedos. Suas mãos estavam trêmulas, seus lábios eram carnudos, e ela se inclinou mais uma vez, agora perdendo o controle e fazendo um erro cálculo. Os dentes dos dois se chocaram no mundo demolido da Rua Himmel”. (Página 466)

  1. Moreninha e Augusto – A moreninha (Joaquim Manuel Macedo)

Não é um beijo convencional, mas, depois de tanto desespero e angústia em saber se o amor era correspondido, Carolina e Augusto enfim se entendem.

“A Sra. Da. Ana e o pai de Augusto entraram nesse instante na gruta e encontraram o feliz e fervoroso amante de joelhos e a dar mil beijos nos pés da linda menina, que também por sua parte chorava de prazer.” (Página 175)

  1. Léa Delmas e François Tavernier – A bicicleta azul (Régine Deforges)

Todos os beijos entre Léa e Tavernier são bem quentes, fortes, ora pela excitação ora pela raiva. A história se passa na 2ª Guerra Mundial e, diante de toda a dificuldade, surge entre eles um amor cheio de força que faz Léa ter mais vontade de viver!

“Os lábios dele afloraram docemente os da jovem imobilizada. Léa debatia-se com fúria silenciosa. A mão de François aumentou a pressão, arrancando um grito de sua vítima. Com a outra, Tavernier agarrou-lhe os cabelos desgrenhados. Os lábios com sabor de tabaco e de álcool comprimiram-se com mais força contra os dela. Uma onda de raiva submergiu Léa. Mas, bruscamente, percebeu que correspondia àquele ser ignóbil. Porque a súbita lassidão a invadir lhe o corpo, o delicioso prazer entre as coxas?” (Página 44)

  1. Morgana e Lancelote – As brumas de Avalon – A Senhora da Magia (Marion Zimmer Bradley)

As Brumas de Avalon é um dos meus livros favoritos, adoro a magia em torno da lenda do Rei Arthur. O beijo entre Morgana e seu primo Lancelote é envolto de magia e um amor puro que por obra da Deusa, Viviane ou o destino traz tudo menos a união dos personagens.

“— Minha querida prima Morgana – disse, abraçando-a e acariciando-lhe a face. Ela retribuiu o abraço, enterrando o rosto em seu peito. Lancelote sentiu o seu calor, e ela, a batida do coração do rapaz. Depois, ele segurou-a pelo queixo, levantando-lhe o rosto, e seus lábios encontraram-se.” (Página 170)

  1. Niki e Alessandro – Desculpa se te chamo de amor (Federico Moccia)

Com uma temática de amor impossível entre uma garota de 17 anos e um homem 20 anos mais velho, Federico fez uma história que te envolve nas tramas dos personagens principais e dos secundários. Há uma torcida para cada personagem que aparece e não podia ser diferente com os beijos entre Niki e Alessandro.

“Alessandro acaricia docemente os cabelos de Niki e os afasta do rosto. Depois sorri para ela. E canta novamente ‘Espero muito que você seja sincera’… e a beija. Um beijo lento, macio, que quer falar, serenamente dizer tudo, muito, demais. Tenho vontade de me apaixonar, Niki, de amar, de ser amado, tenho vontade de sonhar, quero construir, quero certezas. Trate de entender. Necessito esquecer tudo o que aconteceu nesses vinte anos que passei sem você. Será que um beijo sabe dizer tudo isto? Depende de quanto sabem ler os lábios que o recebem.” (Página 236)

  1. Catherine e Heathcliff – O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)

Sou suspeita, muito suspeita em falar sobre essa obra que foi tema do meu TCC de graduação e pós-graduação. Catherine e Heathcliff despertam em mim ódio e amor, pena e raiva e não poderia ser assim uma das passagens dramáticas que um beijo não foi narrado com amor:

“- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho se quer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responda-me! Por causa da mera inclinação que sentia pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou Satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando … Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?” (página 140)

  1. Veronika e Eduard – Veronika decide morrer (Paulo Coelho)

Paulo Coelho foi um dos autores que me viciaram em livros e eu não podia deixar de fora um livro dele. Apesar das temáticas não serem o romance em si, mas a descoberta, o oculto e a magia escolhi um dos meu livros preferidos dele. Veronika é uma mulher que tenta suicídio, mas é salva e terá que passar o resto da sua vida (ou uma parte dela) acreditando que aquele dia será o último. Assim que ela foge de Villete junto com Eduard os dois passam a contar os segundos que ainda tem juntos e o beijo é só um detalhe para quem descobriu a vontade de viver!

“Veronika deu-lhe um demorado beijo.

_ Olhe bem para o meu rosto – disse ela. – Guarde-o com os olhos de sua alma, para que possa reproduzi-lo um dia. Se quiser, comece por ele, mas volte a pintar. Este é o meu último pedido. Você acredita em Deus?” (Página 206)

Beijos de uma cabritinha que, às vezes, é sonhadora!

Natalia Moreno é colunista e escreve todas às segundas. Leia mais textos da autora.

Natalia Moreno

Natalia Moreno

Natalia Moreno é apaixonada por literatura, animais, músicas... Formada em Letras, pós graduada em Literatura Inglesa é autora dos romances Quando eu me amar e Marcas da Vida. Tem o defeito de querer colocar tudo em ordem, desde um quadro torto até o mundo e se desespera por este último estar fora do seu alcance.
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