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Eu estava assistindo ontem ao documentário I Am Heath Ledger. Quase que num prelúdio de que o suicídio de jovens geniais iria assustar novamente a sociedade hoje. Chester Bennington, um dos vocalistas do Linkin Park, foi encontrado morto hoje, dia 20/7. Segundo o TMZ, ele se enforcou.

 

O cantor foi, para mim, um grande intérprete e compositor sobre as dores que assolam a juventude no raiar do século XXI. Fez parte do movimento denominado “nu metal” (ou new metal). Uma vertente do rock que mistura, com maestria, pegadas de contra-baixo muito semelhantes ao do funk e soul music, baterias ritmadas no compasso parecido ao do hip hop, complementado com vozes e riffs nervosos que tentam elucidar, em som, o desespero e a angústia das letras cantadas.

 

Acho que minha geração, assim como eu, aprendeu o que era empatia nessas canções. Cada um tinha seus problemas, mas a dor era sentida na mesma intensidade. Não era a toa que nem todos entendiam o porquê de admirarmos tanto a banda. Ainda mais se você adiciona cabelos vermelhos e tatuagens esquisitas de chamas de fogo nos antebraços. Esse era o Chester; ídolo de tanta gente que, através da sua dor, fez com que um monte de gente expressasse os seus respectivos sofrimentos.

 

Hoje, mais uma vez, ele foi vítima dos seus demônios pessoais. Porém, ao invés de inspiração, os demônios o consumiram por completo.

 

Não é justo, mas acho que podemos tirar uma lição de tudo isso.

 

Depressão não é ilusão. Ansiedade não é brincadeira. Angústia não é parque de diversão e choro não é drama.

 

Chega de perguntar para os outros se está tudo bem, apenas esperando de volta “tudo sim, e com você?”. Pergunte DE VERDADE. Cutuque a ferida. Deixe o amargor das palavras transbordar da boca. Permita que o veneno flua para fora e deixe um pouquinho do gosto em alguém. Como uma vacina, talvez, nos tornemos imunes, ingerindo o veneno que matou tantos. Através da empatia, do compadecimento, da compreensão e do acolhimento, podemos destilar um pouco do dano que mata o outro aos poucos. Por fim, acabamos nos blindando também daquilo que já foi uma doença fatal.

 

Por isso, escrevo para quem quer que esteja questionando se sua existência é merecedora: pode falar comigo. SÉRIO, não estou brincando.Posso não ter os melhores conselhos, mas pelo menos posso te indicar um ou dois amigos que  talvez te entendam: o Chester, a Amy, o Kurt, a Janis… Quem sabe assim eu ponho em prática aquilo que aprendi com eles: a habilidade de ter empatia com o sofrimento do outro e tentar estancar feridas que são muito difíceis de curar sozinho.

 

E você, Chester, espero que descanse em paz e que tenha encontrado o que gritou para o mundo: “Eu quero me curar, eu quero sentir como se estivesse próximo de algo real. Eu quero deixar a dor que senti por tanto tempo ir embora. Eu quero encontrar algo que desejei por tanto tempo: algum lugar no qual eu pertença”. (Somewhere I Belong – Linkin Park)

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
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