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Os homens que explicavam tudo para as mulheres

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Imagine que alguém está explicando para você o que é marxismo. Ou o que é um impedimento no futebol. Ou mesmo como mexer no Instagram. São situações naturais, que devem acontecer todos os dias e que não mereciam um texto sobre isso, certo? Errado.

Nos casos acima, as pessoas que receberam explicações eram, respectivamente, mestre em Políticas Sociais, educadora de Educação Física e especialista em redes sociais. Ah! E as pessoas que deram explicações sobre esses temas eram homens sem alguma formação ou experiência nos assuntos.

Se você se esforçar um pouco, talvez lembraria de diversas situações parecidas. Quer ver?

– Você ou alguém que você conhece estava falando sobre um tema que domina e foi interrompido por uma terceira pessoa que, além de não saber nada sobre o assunto, “tinha que adicionar alguma informação” irrelevante sobre algo que claramente não domina;

– Você ou alguém que você conhece recebeu uma explicação que não pediu sobre algum assunto que domina por alguém que não tem o mesmo nível de conhecimento que você;

– Você ou alguém que você conhece recebeu um input de alguém que não trabalha com você sobre algo relacionado ao seu trabalho;

– Você ou alguém que você conhece deu uma ideia que foi totalmente ignorada e, algum tempo depois, a mesmíssima ideia foi implantada por um homem – e elogiada por todos;

– Uma pessoa que acabou de entrar em um projeto, do qual pouco sabe a respeito, começou a dar opiniões sobre algo que claramente não sabe para você ou alguém que você conhece, que estavam no projeto desde o início…

Identificou alguma situação assim?

O fenômeno acima ocorre com tanta frequência que tem nome e alguns estudos sobre o assunto. Se chama mansplaining, o que em português significa algo como “explicação masculina”. O termo foi escolhido como uma das palavras do ano de 2016 pelo New York Times e não se sabe quando ou por quem foi inventado. Alguns dizem que nasceu após a publicação do livro Men Explain Things to Me, de Rebecca Solnit, em 2014. A obra reúne 7 ensaios sobre o assunto e, no ano seguinte a sua publicação, teve uma nova edição com mais dois textos sobre o assunto. A publicação teve ainda mais destaque quando, nesse ano, uma mulher que lia o livro na piscina recebeu uma explicação sobre o livro de… Isso mesmo, um homem. A história completa você pode ler no Metro do Reino Unido.

Ninguém nasce sabendo. Eu inclusa. Mas, para mim, o fenômeno provém da necessidade de ter que ter uma opinião sobre tudo – principal mas não somente nas redes sociais. Na dúvida, lembre-se daquele ditado: enquanto um burro fala, os outros abaixam a orelha.

Leia também: #MeToo, o que os homens podem fazer

Ana Sasso

Ana Sasso

Editora do We Love. Pensa alto, fala sozinha e rabisca em papéis pelo caminho. Quando não está escrevendo, está pensando no que vai escrever. É jornalista, mas vive entre contar e inventar histórias aqui.
Ana Sasso

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