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Olá.

Eu tenho mais uma reclamação a fazer. E dessa vez, de fato, pouquíssimo me importa se você se incomoda com isso. Fecha a janela. Pelo amor de Deus, por que você entrou aqui, então? Vai embora. Por favor.

Obrigada.

Se você não me conhece, nunca falou comigo, nunca dirigiu nem mesmo um ‘oi’ à mim, nunca me desejou um bom dia, não se deu o trabalho de abrir sua mente limitadíssima (que acredita piamente que sorrisos significam bom caráter) e, dessa forma, me acha antipática, fechada, mal educada… Por favor, vai. Só vai.

Sério.

“Maluh, não sabia que você era tão gente boa… Você parecia a mais metida da sala”.

Gente. Isso deu um nó na minha cabeça. Sério.

COMO ASSIM?

Eu sempre me classifiquei como extrovertida. Até demais, inclusive.

Aparentemente eu estava errada. O muro caiu e a realidade bateu.

E por aí foi. Faculdade, estágio, trabalho, rodas de bar, boates, restaurantes, shoppings… Qualquer lugar que tenha mais pessoas a parte das que já me conhecem e que sabem que isso é total bullshit.

De toda essa revolta, vem a questão:

Por quê?

É por que eu não sorrio o tempo inteiro? É por que eu não atravesso a rua para te dar um abraço mesmo que o outro lado da rua não esteja no meu caminho e me atrase em 10 minutos para um compromisso sério? É por que eu não passo de mesa em mesa quando vou tocar em algum lugar? É por que eu não fico com as mãozinhas pra cima quando estou mixando? É por que eu não viro melhor amiga dos meus colegas de trabalho e fico trocando informações da minha vida pessoal? É por que eu vou pra academia e não fico papeando com geral e faço o que é pra se fazer numa academia: malhar? (aliás, essa é velha: há mil anos, não piso na academia).

Se for por esses motivos e por outros – ridículos – por favor, pare. Você está julgando sem conhecer. Você é mais uma daquelas pessoas que julgam pela capa. Que tem preguiça de ler o outro. De trocar uma ideia. Ou de simplesmente respeitar o espaço alheio. Ninguém tem obrigação de falar com você. De sorrir para você. De te dar bom dia. A gente faz isso por mil motivos e milhões de circunstâncias diferentes. Não é uma regra. É apenas um tipo de conduta que pode ou não ocorrer.

Por isso, se você me conhece – ou conhece alguém que se encaixa nesse perfil – e tira as conclusões que apontei aqui diante dos sinais que você enxerga, saiba de uma coisa: essa é só a cara que modelaram na gente quando estavam brincando de massinha lá em cima. Não foi intencional. Normalmente, somos educados, legais e simpáticos. Caso não sejamos, pior ainda: não liga mesmo. Gente chata não merece atenção.

Ah! Outra observação interessante: no meio das minhas análises feministas, eu reparei que, até nisso, nós não temos o mesmo direito. Você já reparou que um cara pode ser carrancudo, fechadão, sisudo e não ser julgado como mal educado ou antipático de cara? Ele vai ser taxado apenas de… Carrancudo, fechado, sisudo.

Mas, mulher? Ah, a mulher. Tem que ser delicada, sorridente, feliz enquanto é fodida pela vida por quatro abacaxis somalianos. Até nisso, gente?! ATÉ NISSO?!

Por favor, pelo direito de igualdade. Nos deixem ser carrancudinhas também. Deixa a gente ser fechada. Deixa a gente ser séria. A gente já se ferra demais e já ouve merda demais 24/7 para ficar sorrindo para a humanidade. Aliás, se tinha alguém que podia ser um pé no saco o tempo inteiro, éramos nós, mulheres.

Até porque educação eu tenho. Paciência são outros five hundred.

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
Maluh Bastos

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