Lições que aprendemos com O Pequeno Príncipe

O Pequeno Príncipe e eu

O pequeno príncipe e eu | Crédito: Divulgação

A primeira vez que tive contato com a história do Pequeno Príncipe foi através de frases prontas do livro. “O essencial é invisível aos olhos” e “só se vê bem com o coração” foram frases que sempre acompanharam a jornada da minha vida. No entanto, o primeiro contato com a leitura aconteceu na véspera de ano novo de 2009.

Eu me lembro, especificamente, desse ano, pois ele tinha sido muito difícil para mim. Alguns meses antes, eu tinha perdido minha mãe e minha sobrinha; minha irmã tinha ido embora e passei a morar sozinha. Resumindo: eu tinha uma vida de cabeça para baixo.

Naquele mês, eu tinha participado de um amigo secreto e estava à espera do meu presente. Era véspera de ano novo e recordo que cheguei à casa, solitária, e entrei no meu quarto… Tinha um pacote em cima de minha cama; eu o abri e lá estava: intocável, lindo e à minha espera.

Minha mente ainda guarda imagens bem frescas e concretas daquele dia; lembro que sentei na cama, folheei as primeiras páginas e chorei. Eu me sentia sozinha e ele estava ali, comigo, para me acalmar ou mostrar que tudo ficaria bem.

Naquele feriado, enquanto os fogos rasgavam o céu do meu bairro e em meio a felicitações, eu estava deitada na minha cama, caminhando de mãos dadas pela África com dois personagens que me marcariam para sempre.

Desde então, aquelas frases “o essencial é invisível aos olhos” e “só se vê bem com o coração” começaram a fazer um sentido maior e é engraçado em como cada parte do livro diz um pouco sobre mim.

Recentemente, a minha vida virou de cabeça para baixo – de novo – e parece que quando isso acontece o livro se torna mais brilhante na estante, como se ele estendesse a mão e dissesse: “vem, estou aqui por você”. E eu vou de coração aberto e pronta para acatar cada palavra dita ali.

A cada leitura, um ensinamento novo. Hoje, aprendi que não importa o quanto cativemos as pessoas ou elas nos cativem; algumas coisas acontecem na vida para que sejam intensas e temporárias, mas isso não significa que não irão deixar marcas e elas deixam… Deixam marcas ou cicatrizes tão profundas, mas que estão ali para lhe lembrar de que algo bom aconteceu.

Eu acredito que a raposa deixou uma marca dessas no Príncipe; assim como ele deixou nela, mas nem por isso o amor, o carinho e a amizade entre eles deixaram de existir – lembrando apenas que ele a deixou. Algumas coisas precisam acabar para que outras comecem, recomecem ou passem a fazer sentido; e foi isso que a obra me mostrou na última leitura.

Aprendi também que nem sempre estamos preparados para isso.

Poderia escrever um daqueles textos clichês, com títulos clichês que dizem: 10 coisas que aprendi com “O Pequeno Príncipe”. Entretanto, acredito que a peculiaridade desse livro é tão intensa que cada um tem o seu top 10 de aprendizado e são coisas tão particulares que fica difícil querer compartilhar com alguém.

Para mim, cada experiência de leitura com esse livro é diferente, é forte e é intensa, porém todas elas me levam à mesma sensação de oito anos atrás, quando ele ainda me esperava, embalado em cima da minha cama. Foi naquela noite que descobri que não estava sozinha.

Ana Caroline Carmo

Ana Caroline Carmo

31 anos, estudante de Letras, porém ainda não sabe o que quer da vida. Ama seus dois gatos - Dallas e José -, sofre por antecipação, mas sabe que a vida é uma eterna caixa de surpresas. Ah, sempre esquece de mencionar o fato de que é fã do Backstreet Boys.
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Comments

  1. Não sou muito fã de Pequeno Príncipe. Talvez seja porque, quando o li pela primeira vez, o livro pertencia a biblioteca da minha escola pública, todo rasgado e com cheiro de mofo. Pertencia mesmo, porque passou a data de eu entregar, não entreguei e me formei. Ou seja: hoje em dia, ele é meu. Não tinha prazer em pegar aquele “negócio” de 1970 e pouco. Mas, num dia chuvoso eu li. Me perdi em algumas partes, voltava e achava tudo mais “boring” ainda. Na verdade, não tinha maturidade. Mesmo não sendo muito fã, tenho de admitir que ele é atemporal e suas palavras sempre cabem na vida de quem quer que seja. Só ler as entrelinhas, só se esticar para fazer do universo dele, o seu. Seu texto me fez sentir a vontade de pegar nele e sentir a que pé minha vida anda, se atualmente consigo disseminar de novo, o novo.

    • Ana, também sou fã de Backstreet Boys. Um bsbeijo.

  2. Olá, Raquel!
    Primeiro, muito obrigada por seu comentário, fiquei feliz em lê-lo. Sim, O Pequeno Príncipe é atemporal, mas costumo dizer que você deve fazer essa leitura em três ocasiões na vida: infância, adolescência, vida adulta. Tudo bem que na infância, você não consegue absorver muita coisa: é um livro infantil que a história não diz muito, mas na adolescência, ele começa a fazer um certo sentido, na vida adulta então, nem se fala.
    Eu espero que você dê uma nova chance ao livro e que ele seja seu, para você. Espero que ele te faça refletir e que te ensine muitas coisas.

    PS: Meu favorito é o AJ. *-*

    Beijos :*

  3. O pequeno príncipe o livro que consegue tocar milhares de pessoas de maneiras diferentes,sempre nos mostrando que tudo sempre tem o lado bom.Basta olharmos com os olhos do coração.Ja amava agora depois de vê o filme baseado no livro foi que fui cativada de vez.?

  4. Olá, Thayse.

    Ainda não tive a oportunidade de ver o filme, não vejo a hora disso acontecer. Muito obrigada por seu comentário e que bom que gostou do post.

    Um beijo.

  5. Primeiramente eu sou fã dessa menina de sorriso bonito que escreveu esse texto.
    Esse livro foi lido em diversas fases da minha vida, mas hoje como psicóloga eu lembro de ter lido ele para um trabalho acadêmico para a matéria (humanista existencial) do qual rege minha prática profissional, e foi naquele momento durante uma visão adulta e profissional que eu vi do que realmente esse livro se tratava. Ele queria falar sobre como seguir sua vida sendo você mesmo, sendo quem você observa ser por dentro e não como os outros te observam.

    Pode sim ser um livro antigo, mas quanto mais o tempo vai passando mais atual ele vai se transformando.

  6. Oi, Cah!
    Acho muito gostoso conhecer as experiências de leitura das pessoas, ainda mais quando a obra em questão é um clássico da literatura mundial! :)
    O fato de você ter uma história tão linda como porto seguro só mostra a pessoa incrível que você é!
    Como você mesma disse aí, tudo fica bem no final!
    Parabéns pela crônica. Ela me fez pensar em muitas coisas aqui.
    Beijos,

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