Pontes

pontes | pexels

Eu achei que dessa vez fosse acontecer. O encantamento era real, as faíscas ressurgiram timidamente depois de algum tempo. O frio na barriga, a vontade do beijo e a parada de querer ficar junto foi ficando forte.

E eu, que achei que jamais sentiria aquilo novamente, senti. Ou pelo menos estava desatando os nós que me prendiam ao medo de querer reviver aquilo novamente. Você me fez querer reviver aquilo novamente. Você me fez ser eu novamente.

Todas as palavras, gestos e sentimentos descritos eram a prenuncia de algo que seria avassalador, puro, bonito e confortável ao coração. E meu bobo coração, sem ter noção, foi tentando entender o que estava acontecendo.

Caminhando sozinho na vastidão da minha mente, eu tentava entender a razão de você sempre querer detonar a bomba que destruiria a ponte que nos ligava sem ao menos fazer sentido. Era um detonador aberto pronto para ser acionado a qualquer momento de surto e/ou descontrole.

Eu achava que poderia controlar essa guerra fria entre o impulsivo e a calmaria. Mas você, apertou o detonador e colocou abaixo toda ponte que estava sendo construída entre o presente e o nosso futuro.

E agora, além de dificultar a travessia, os escombros formaram um verdadeiro muro que nos separou. Ficou difícil de atravessar, não impossível. Mas eu não sei se ainda tenho forças para construir outra ponte que pode ser implodida a qualquer momento e sem aviso prévio.

Robson Santos

Robson Santos

Publicitário, poeta de boteco, odeia sushi, ama filmes de máfia, tem TOC's, vive por música e não sabe a razão de escrever em terceira pessoa. Descarrega suas emoções no letraslorotaseleriados.tumblr.com
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