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Por que você também deveria sair do armário

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Outro dia, encarando o meu guarda-roupa, percebi que precisava de peças novas. Estava enjoando das cores que me cercavam, daqueles cortes e, até mesmo, das peças que eu mesmo customizei, com boa intenção e não tão boa execução. Nada ali parecia me representar – nem mesmo o pretinho básico. Acho que, uma hora ou outra, todo mundo se sente assim. E o guarda-roupa é provavelmente a melhor metáfora do mundo moderno. Não cabe. Não serve. Não te representa.

Jogada no canto uma camiseta “Gay Power” acumulava um pouco de poeira e um leve aroma de mofo. Usei poucas vezes desde que comprei numa liquidação Black Friday de uma camisetaria carioca de estampas “descoladas”. É mais uma daquelas roupas que não te serve todo dia. Até porque militar é importante, mas convenhamos: dá preguiça.

Dá preguiça explicar para as pessoas como você percebeu que gosta de pessoas do mesmo sexo. Dá preguiça fazê-las entenderem que em nenhum momento você escolheu aquilo. Dá preguiça tentar desfazer uma série de conceitos pré-concebidos sobre a sua própria sexualidade. Dá preguiça fugir do estereótipo que criaram para você sem a sua autorização. Dá preguiça tirar essa pessoa do lugar comum dela e dizer: eu sou igual a você. E como somos.

A gente sangra igual se formos machucados. A gente chora quando estamos sofrendo. A gente faz um monte de besteira por amor, por ego, por falta de empatia ou por tesão mesmo. A gente erra, pede desculpa e tenta melhorar. A gente tenta todos os dias acreditar em um mundo melhor mesmo com bombas explodindo e pessoas morrendo de fome.

A gente é humano também.

Só que “gays”; como gostam de nos chamar. E não tem problema algum com esse rótulo.

Na verdade, gay tem um significado etimológico autoexplicativo: “aquele que traz alegria”. Porque somos realmente felizes por aqui, nos aceitando e aprendendo a aceitar as pessoas ao nosso redor. Afinal, a gente só tem a capacidade de descobrir alguma coisa com quem é diferente da gente, quem viveu outras coisas ou contou outras histórias. Do contrário, vamos estar sempre presos àquele guarda-roupa, com as mesmas peças e as mesmas combinações.

Sair do armário não é – ou não deveria ser – privilégio para quem ama do outro lado do arco-íris.

Nota do autor: Essa semana comemoramos a Pride Week. E é sempre importante lembrar que o Brasil é o país que mais mata LGBTs do mundo. Mesmo que “dê preguiça” militar por certas vezes, o movimento precisa sim da nossa voz, que não nos calemos e não tenhamos medo de dizer que temos o direito de amar quem quisermos. 

Adler Berbert

Adler Berbert

Editor do We Love. Jornalista, curte frases de efeito, acha que sabe jogar vôlei e está viciado em tirar fotos de anúncios nos postes da cidade. No colegial, foi expulso da banda marcial por não ter ritmo, mas ainda continua acreditando que tem potencial musical.
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