Por todos os nossos dias • We Love

Por todos os nossos dias

Por todos os nossos dias

É engraçado, né? Você faz parte de todos os meus dias. De manhã, quando eu acordo e olho pro meu celular, a primeira pessoa que eu quero ver ali, nas notificações do Whatsapp é você. Quando é, eu já acordo sorrindo, sabendo que está tudo bem. Quando não é, tudo bem também, eu já arrumo alguma coisa qualquer pra te contar, pra gente começar a se falar de novo, começando mais uma vez o interminável ciclo de mensagens que a gente troca.

Tudo o que acontece comigo, eu conto pra você. Tem coisas que mais ninguém conhece, mais ninguém ouve. Até aqueles devaneios que a gente vai descobrindo pra onde vai enquanto fala, sabe? Ou quando eu me autoanaliso como um pseudopsicólogo cuidando de si mesmo. Sempre com seus pitacos precisos, claro. É que sem você eu mal sem quem eu sou.

Eu gosto de reclamar com você e de ouvir você reclamar também. Seu jeito ácido de ver as pessoas sempre me faz rir, porque no fundo, por trás dessa carranca digital q você usa, está alguém que se importa tanto com os outros, que se irrita. Eu te entendo. E sei que você me entende também. Nesse mundo de tantas lamúrias, é quase um milagre encontrar alguém que reclame na mesma sintonia que você. Sinceramente: odiar as mesmas coisas, já é um quase amor.

Quando você some por um tempo, e você sabe que você some, eu sinto sua falta. Não que eu fique de cama chorando e comendo sorvete como em um filme adolescente. Mas é que parece que do meu dia falta um pedaço. Que em mim falta um pedaço. Uma coisa boba, a toa, como quando você está tentando falar uma frase e a palavra certa escapa, você acaba substituindo por outra, mas não era aquela que você queria. Está certo, mas também está errado.

Por isso que quando eu digo que é engraçado, eu quero mesmo dizer que é triste. É triste porque mesmo que você faça parte de todos os meus dias, você não está lá de verdade. As nossas conversas nunca foram de boca a boca. As vezes parece que como todas as minhas neuras que a gente compartilha, você só existe na minha cabeça. Eu nunca pude trocar risos nervosos na fila do banco com você, ou aumentar a voz pra falar mal do público de um festival de música indie qualquer. E quando você some eu sinto sua falta. Mas também sinto sua falta quando você está. As vezes até mais.

Eu queria que você pudesse experimentar alguma das minhas receitas de batidas que eu faço e te juro que ficou boa. Eu adoraria passar um perrengue de 12 horas dentro do carro pra chegar à praia no feriado com você. Eu pagaria os ingressos e a pipoca pra vermos juntos aquele filme de terror horrível e sair rindo e reclamando da sala do cinema.

Eu sei que é besteira. Que nos damos bem do jeito que estamos e, talvez, se fosse diferente nem seríamos assim. Temos nosso jeitinho, nosso relacionamento que é, à sua maneira, único, quase secreto e especial. Mas, não me leve a mal, é que às vezes eu fico um pouco triste com isso, mas no fundo é engraçado, né? Que por todos os nossos dias, eu só queria que você fosse real.

Henrique Arana

Tem 27 anos, de São Paulo, mas pode chamá-lo de Rico.
Estudou publicidade e jornalismo, hoje trabalha em agência de propaganda em Curitiba.
Seu sonho é parar de escrever sobre produtos quaisquer e poder escrever de sentimentos, dele e de outros.

Últimos posts por Henrique Arana (exibir todos)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *