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Por que precisamos combater o machismo no dia a dia

clarice falcão survivor feminismo | foto: reproduçaõ

O mundo está em crise. Existencial, econômica, com a natureza (já assistiram ao filme Mãe!?). Não preciso repetir aqui o que todo mundo está cansado de ouvir nos jornais. No Brasil, a reforma trabalhista é discutida assim como a privatização do SUS para “salvar a economia do país”. Opiniões à parte, o fato é que, apesar de tudo o que vem acontecendo, a desigualdade de gêneros tem um custo de US$ 12 trilhões anualmente. A equidade de gêneros é uma causa tão relevante que encabeça as 17 Metas do Desenvolvimento Global feitas pela ONU. Era sobre isso que o remake do clipe Wannabe, das Spice Girls, falou no ano passado, vocês lembram?

Isso acontece porque, para cada dólar que um homem ganha, uma mulher no mesmo cargo ganha US$ 0,75. No Brasil, essa diferença pode chegar até a 60%. Deve-se levar em conta ainda que mulheres comandam 40% dos lares brasileiros, o que ressalta ainda mais esse número trilhardário. Mas o que o feminismo tem a ver com isso?

O feminismo, segundo a Wikipedia, “é um conjunto de movimentos (…) que têm como objetivo comum: direitos iguais e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores”. Ou, como disse a escritora Marie Shear, em 1986, “feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente”.

Para quem não entendeu, feminismo não quer dizer que as mulheres devam deixar de se depilar, “virar masculinas” ou que não podem mais casar, ter filhos e cuidar da casa. O feminismo só luta para que você possa fazer tudo isso – e mais o que você quiser – sem dar satisfação a ninguém ou receber um salário menor por isso. Em resumo, uma feminista pode fazer ou ser o que bem entender desde que não ofenda ou desrespeite ninguém. Chimamanda em seu TEDx destacou:

“Você pode gostar de moda e ainda lutar pelos direitos das mulheres. Você pode ser famosa, dançar no palco de espartilho, cantar sobre amor adolescente e ainda ser feminista. Queimamos sutiã na década de 1960, mas apenas como forma simbólica de exterminar aquilo que nos prende, sufoca e limita. Ninguém precisa deixar de usá-los. Assim como ninguém precisa fazer nada que não queira. (…) O feminismo é poder de escolha.”

O machismo, porém, não aparece vestido de vilão e te aborda em becos escuros durante a noite. O machismo está presente no dia a dia e oprime todos nós – homens e mulheres – o tempo todo. Que ver só?

É machismo quando você é interrompida por um homem durante uma apresentação;

É machismo quando um homem explica algo óbvio para uma mulher que claramente sabe do que está falando;

É machismo quando produtos “femininos” são mais caros quando comparados com produtos com o mesmo propósito, mas considerados masculinos;

É machismo quando perguntam se você está de TPM só porque está irritada com algo;

É machismo quando você é interrompida por um homem porque, obviamente, o que ele está falando é mais importante;

É machismo quando perguntam o que a vítima estava vestindo;

É machismo quando, em entrevistas de emprego, descartam mães ou dizem que mulheres devem receber menos por sair de licença maternidade;

É machismo – e uma ofensa – que ainda se cogite ter um candidato a presidência que faça apologias (no plural) ao estupro.

Se você ainda acha que ser mulher é simples – e tudo isso é mimimi -, deveria ler o livro Faça Acontecer, da Sheryl Sandberg, a COO do Facebook. É preciso combater esses e outros tipos de atitude todos os dias. Se não por um mundo mais digno, ao menos pela economia mundial #ironia.

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