Procura-se um amor... • We Love

Procura-se um amor…

Procura-se um amor...

Procuro um amor que saiba ouvir. E que, acima de tudo, saiba respeitar diferenças, lágrimas e algum tempo de silêncio. Não precisa ser alto, nem forte, nem muito menos cantar afinado. Mas deve saber dançar qualquer passo torto; e precisa, incondicionalmente, saber sorrir de piadas com pouca graça e chorar sem vergonha, diante de alguma dor.

Não precisa saber de cor todos os poemas de Drummond, nem entender sobre gérberas e jasmins. Também não é necessária muita habilidade com tecnologias e nem saber a diferença entre um João de Barro e um Bem-Te-Vi. Não deve, em hipótese alguma, esquecer o futebol de quinta-feira com os amigos. E precisa, de qualquer jeito, acreditar em astrologia, na posição dos planetas e em nós.

Não precisa falar francês, nem ter dado a volta ao mundo, nem escolher entre mar ou montanhas. Mas saber andar de bicicleta é um diferencial. Principalmente se dispuser a me ensinar quando as tardes forem de outono. E ganha pontos se gostar de fotografias: ser um observador do mundo e dar nitidez às cores que os dias cinzentos nos escondem.

É necessário que seja simples. Use chinelo de dedo aos domingos e se lembre que nenhum sofrimento é pra sempre. Ter olhos de descanso, sorriso de quem tem esperança e sabedoria de quem encontrou no coração a própria fé. Pra só assim se lembrar (e entender) que aquilo que se divide, do mesmo modo, se multiplica. Principalmente o amor.

Deve, ainda, gostar da solidão na mesma proporção com que cultiva companhia. E saber a importância do voo, compreendendo que é a liberdade que faz o coração ter desejo de pousar. Deve saber que é na simplicidade que se constrói as memórias mais bonitas. E estar disposto a cultivar jardins, misturar cores, colher frutas no quintal, fazer fogueira no inverno e tomar banho de mangueira no verão.

Não precisa saber o nome de todas as constelações. Mas é importante que tenha algumas horas pra deitar na rede e enumerar estrelas. É imprescindível que saiba que o tempo passa veloz. E que a gente não deveria perdê-lo entre mágoas, egoísmo e rancor. É preciso que entenda as minhas urgências e venha cedo, sem prepares de avisar. Como recompensa, vai levar significância em forma de reciprocidade e a certeza doce de nunca perder um só início de primavera.

Débora Gomes

Débora Gomes

Mineira de alma e coração, sou jornalista e encontro na paixão por palavras e fotografias, um jeito de ser menos só e espalhar amor. Escrevo no As Cores Dela e também faço arte no @feto.
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