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Quando a gente gosta faz dar certo

Ele ama tatuagens como se o próprio corpo fosse um espaço para pintar verdadeiras obras de arte. Eu, que morro de medo de agulha, vou com ele só para dar apoio emocional. Na verdade, ele nem sabe que fico mais tempo com olhos fechados e me contorcendo na cadeira, mas toda vez que ele procura meu olhar como forma de incentivo, eu esboço um sorriso e digo: “vai ficar linda, amor”.

Ele nunca gostou de truco, buraco, nem 21, mas por ser um dos meus hobbies favoritos, ele até aprendeu que a primeira rodada vale um caminhão e se diverte quando eu passo sinal de pica-fumo. Outro dia desses, estava certa que venceria a rodada, pedi truco e levei o maior susto quando ele gritou: “SEIS SÓ, SEIS SÓ. MANDA CAIR MARRECO!”.

Apaixonado por filme de ação ou terror, escolher o filme do cinema é sempre um dilema. Ele quer algo que assuste, eu algo que emocione. Ele quer algo que sangre ou tenha ação. Eu quero algo que me faça chorar, tocar no coração.

Quase não acreditei quando ele chegou com o livro Como Eu Era Antes de Você embalado para presente. Acho que a melhor parte foi quando disse: “depois que você terminar de ler nós vamos assistir essa história no cinema”. A princípio não tinha entendido direito, mas naquela mesma noite eu percebi o contexto do livro inteiro quando ele resumiu numa simples frase: “eu me tornei uma pessoa melhor por sua causa”.

Ele, que nunca acertou dançar nem a valsa da formatura, de vez em quando (e depois de algumas doses de tequila), me tira para dançar no meio da pista e diz para todo mundo que estávamos treinando para a coreografia oficial do nosso casamento.

Ele é viciado em uma comida japonesa e eu fico sem entender como alguém é capaz de trocar pizza por peixe cru. E, mesmo não gostando, chamei os melhores amigos dele e fizemos uma festa surpresa no melhor rodízio japa que o nosso bolso conseguiu pagar. Continuo não gostando desse tipo de comida, e fiquei a noite toda enrolando com salmão e outros peixinhos (que eram assados ou fritos), mas valeu a pena pelo brilho nos olhos dele.

Ele morre de medo de altura e eu não me considero uma pessoa aquática, principalmente porque não sei nadar. Resolvemos enfrentar nossos medos juntos descendo numa tirolesa que terminava na água. Conclusão: foi um dos melhores passeios que fizemos até hoje.

Ele não se considerava um homem tão carinhoso. Eu sempre fui uma romântica à moda antiga assumida. Ele corria de um relacionamento sério. Eu esperava o príncipe encantado. Ele, que nem curte sertanejo estava naquela balada à toa, porque os amigos insistiram. Eu estava dançando, mas decidida a não ficar com ninguém naquela noite. Nos conhecemos, ficamos e nos apaixonamos. Deve ser coincidência, afinal, ninguém queria nada aquela noite. Ou será que queríamos?

Hoje minha vida é muito melhor só de tê-lo por perto e mesmo parecendo que a gente não combina em nada, nos damos bem em tudo. No fim das contas, não importa se ele gosta de japonês, se torce para o time oposto ao meu, ou se não gosta de ouvir sertanejo e reggae. Eu cedo um pouco aqui, ele cede um pouco lá. Assim a gente se encontra, se gosta e se tem.

Ele faz com que meus defeitos fiquem pequenos e que os dias mais cinzas ganhem cor. Eu mostro para ele como a vida é bem melhor quando estamos apaixonados e que demonstração de afeto, não tem hora e nem lugar.

Todos os dias temos mil motivos para continuar ou terminar. Mas dizem por aí que amor é uma escolha e se isso for mesmo verdade, eu escolhi fazer dar certo.

Regine Luise

Regine Luise

Jornalista por formação, poeta por opção, escritora por inspiração. Conselheira amorosa de boteco, romântica de carteirinha assinada. Escreve para expressar o que pensa, sente e, principalmente, quem é.
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